A noite na ilha nĂŁo era apenas escuridĂŁo e estrelas; era um casulo de intimidade onde o tempo parecia ter sido dobrado. Entre os lençóis de linho, apĂłs horas onde o prazer se misturara Ă ternura, o silĂȘncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som da respiração sincronizada dos dois. NĂŁo era apenas o desejo fĂsico que fora saciado, mas uma fome da alma que durava dez invernos.
Giorgio estava deitado de lado, observando o perfil de Ăsis sob a luz prateada da lua que inundava o quarto. Ele passou os dedos pelos cabelos dela, ainda desalinhados, e sentiu uma urgĂȘncia que nada tinha a ver com a luxĂșria, mas com a necessidade de pertencimento.
â Ăsis... â ele chamou baixinho.
Ela se virou, com um sorriso sonolento e os olhos brilhando de paz. â Oi, GiĂł.
â Case comigo. â O pedido saiu despretensioso, quase como um suspiro, mas carregado de uma gravidade absoluta.
Ăsis estancou. O sorriso congelou por um milĂ©simo de segundo e um lampejo de susto cruzou seu olhar. â Giorgio... nĂłs acabamo