O som da porta da presidência se fechando foi como um golpe seco no peito de Giorgio. Ísis saíra sem olhar para trás, a silhueta rígida e a decepção vibrando no ar que ela deixara. O perfume dela, que antes trazia paz, agora parecia misturado ao cheiro amargo de uma derrota iminente. O conto de fadas, que parecia sólido sob os lençóis da cobertura, agora parecia uma aquarela deixada na chuva: as cores borradas, o papel desfazendo-se.
Giorgio desabou em sua cadeira, as mãos cobrindo o rosto. Ele percebeu que, na tentativa de ser o protetor, acabara sendo o carrasco dos sonhos de Ísis. Mas ele não era mais o jovem de dezoito anos que aceitava o exílio em silêncio.
— Eu não vou te perder de novo, Ísis. Nem para os Sousa, nem para o meu próprio orgulho — murmurou, pegando o telefone.
Ele convocou uma reunião de emergência com seu núcleo de confiança e consultores jurídicos. Precisava de uma saída que não envolvesse o casarão condenado nem a entrega total do galpão. Precisava de um xeque-m