Capítulo 7

Aurora

“Acho que decidi namorar você. Esteja avisada.”

Franzo o rosto para a mensagem enquanto caminho para o portão do colégio. Só vi no final da última aula. Não gosto de mexer em celular durante a aula.

Um nome me vem à cabeça. E uma esperança esquisita vem junto. Meu corpo todo reage lembrando do que aconteceu mais cedo. Nem dá para fingir que o garoto não mexe comigo.

Curiosa, salvo o contato e vejo o quanto estou ferrada ao encarar a foto do cara mais gato que já encontrei.

Ele está interessado. Isso me faz sorrir enquanto penso em ser um pouco atrevida.

Eu: Quem disso que eu quero isso?

Respondo e fico esperando. Nem percebo que estou parada entre os alunos que saem pelo portão. Fico encarando o telefone. Cada segundo que passa acaba com minha confiança. Quando começo a acreditar que não haverá resposta tão cedo...

— Você não quer?

Puta que pariu! Dou um pulo no lugar com a voz gostosa falando perto do meu ouvido.

— Deus! Que susto! — Viro para trás e o vejo parado, com um sorriso ladino que destrói minhas defesas. — Por que você faz isso? Quer me matar?

Há quanto tempo estaria ali?

Droga! Parece que ele sempre aparece quando não quero que saiba o que estou pensando. E parece que lê claramente meus pensamentos através do meu rosto.

Suspiro.

— De jeito nenhum. Quero namorar você.

— Pelo que li na mensagem, você acha que quer. Acha.

Ele passa o braço pelo meu e começa a me guiar para fora. Ignora o veículo com segurança e caminha ao meu lado para a minha casa. Noto que o carro nos segue discretamente.

Seguimos silenciosamente, até que ele pergunta:

— Se fosse aceitar me namorar, que tipo de namoro gostaria? Com festas agitadas e muito fogo ou um namoro de piqueniques e carinho?

— Eu não tenho experiência nisso, mas acho que relacionamento deveria ter festa e piqueniques, assim como fogo e carinho.

— Tem razão. Vamos fazer assim: dois encontros com os ambos os lados de um relacionamento. Teremos dois encontros. E você decide se namora comigo. O que acha?

— Sem gracinha, tá bom!

Como assim? Eu já aceitei? Dou uma gargalhada interna de como ele me tem fácil.

— Prometo. — Ele beija meu rosto, me pegando de surpresa. — Promessa selada. Agora vamos nos conhecer. Fale-me de você, futura namorada.

Simplesmente é o que faço. O resto do caminho, vamos conversando. Ele é um cara bem comunicativo. Nem vejo o tempo passar. Felipe me deixa no portão de casa e se despede com um beijo em meu rosto.

Fico na porta vendo ele entrar no carro e partir.

— Quem é o rapaz? — dessa vez é a minha madrinha que me assusta, chegando por trás.

Levo a mão ao coração.

— Que susto, madrinha! — digo fechando a porta e me afastando em direção a cozinha. — É o Felipe. Um amigo da escola.

Evito dizer o sobrenome por algum motivo que não sei qual é. Se ela perguntasse, eu diria.

— Amigo, é? Se a senhorita não percebeu, estava sorrindo bem apaixonada para esse amigo.

— Estava? Não percebi. — Jogo minha mochila sobre o balcão de mármore e abro a geladeira, pegando os ingredientes para um sanduiche. Estou faminta. — Acho que ele vai me chamar para sair. O que a senhora acha?

— Que se for passar de amizade, deve trazer ele aqui para eu conhecer e aprovar.

— Combinado.

Termino sanduiche enquanto conversamos sobre coisas cotidianas e garotos. O assunto só acabou quando eu disse que ela precisava conhecer alguém e se apaixonar.

— Estou feliz cuidando da minha garotinha — ela responde e encerra a conversa dizendo que precisa sair.

Passo as horas restantes fazendo as minhas coisas de casa e tarefas do colégio. À noite, já na cama, recebo uma mensagem do Felipe. Percebo que não salvei o nome dele e salvo.

Everest: Acordada, garota da bunda bonita?

Reviro os olhos para o telefone, me posiciono na cama para digitar melhor deitada e respondo:

Eu: Esse apelido já não tem mais graça.

Assim que respondo, rio para a tela, já que salvei o contato dele com o apelido do nosso primeiro encontro.

Everest: É mesmo. Agora que estamos prestes a virar um casal, vou pensar em algo mais apropriado. E esse deixo para quando quiser te irritar.

Rio lendo sua reposta.

Logo vem outra mensagem.

Everest: Te chamarei de Minha Bela.

Eu: Minha? Então você é o tipo possessivo?

Everest: Demais. E ciumento também. Talvez eu quebre alguns narizes por ciúmes. Mas relaxa, só de quem merecer. Não terei ciúmes sem motivos.

Eu: Já eu sou o tipo de ciumenta exagerada. Namorar comigo vai te proporcionar alguns barracos.

Everest: kkk. Escutou a gargalhada?

Pode deixar, terei cuidado para não despertar seu ciúme.

Sorrio para a tela. E na mesma hora lembro da minha madrinha dizendo que estou distribuindo sorrisos apaixonados. Ao que parece, estou mesmo.

Conversamos bobagens por horas. Acabei pegando no sono bem tarde. Pelo menos no dia seguinte não precisaria acordar cedo por ser final de semana. Poderia dormir até um pouco mais tarde para acordar disposta para o piquenique. Sim, ele marcou para o dia seguinte. E na hora marcada, estou na porta com meu único vestido florido e minha bolsa. Afinal, meu pretendente a namorado disse que eu não precisava levar nada.

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