Mundo de ficçãoIniciar sessãoAurora
Dias depois...
Mas é muito cara de pau mesmo. Depois de tudo que passei sendo sequestrada, quase abusada e morta, além de ter visto alguém ser morto, o tal Felipe está agindo como se nada tivesse acontecido. Nem bom dia o safado dá. Passa por mim como se eu fosse a porra de uma árvore.
Isso não vai ficar assim. Eu vou...
— Puta que pariu! Que susto! — Levo a mão ao peito ao ver o objeto do meu surto parado na minha frente com os braços cruzados.
Eu estava de costas para ele e me virei de uma vez. Será que falei meus pensamentos em voz alta? Deus, não consigo lembrar!
— Desculpe pelo susto. Eu chamei, mas você estava bem distraída? Pensando em rapazes?
— O que quer? — ignoro sua pergunta, aliviada por perceber que ele não ouviu meu surto.
— Só saber como você está. Pensei em me afastar e deixar que siga sua vida, mas você parece bem aérea desde que aquilo aconteceu e me sinto responsável.
— Sabe que estar aqui nesse canto comigo só vai fazer mais pessoas acharem que estamos juntos.
Ele dá um passo na minha direção e sorri quando dou um para trás. Em um jogo de gato e rato vou dando passos para trás enquanto ele continua na minha direção, até que minhas costas tocam uma parede e me vejo presa entre ele e o concreto. Para piorar, ele coloca uma mão contra a parede, perto do meu ombro. Posso sentir seu perfume caro e gostoso bem de perto.
Seu rosto se aproxima do meu. Eu acho que deveria fugir... Não deveria?
— Acha que seria tão ruim assim ser minha namorada?
— Es-sa... — Limpo a garganta. — Essa não é a questão. Por um acaso o príncipe da cidade quer namorar comigo? — Ao contrário de responder, ele fica me olhando com esses olhos perigosos. Isso me irrita. — Claro que não. O máximo que deve querer é comer a novata. Me desculpe, mas não vai rolar.
— Você deve ser bem poderosa para até saber o que as pessoas pensam mais que elas, garota da bunda bonita. — Ele leva a mão até minha cabeça e b**e o dedo levemente nela. — Não sei o que se passa aqui. Da mesma forma que você não sabe o que se passa aqui. — Para meu desespero ele puxa minha mão e coloca no seu peito.
Puxo de uma vez e saio correndo. Essa proximidade mexeu comigo. E ter minha mão em seu peito despertou uma parte intocada minha, deixando-me totalmente úmida.
Foi vergonhoso fugir, mas era isso ou eu poderia perder minha virgindade contra uma parede, porque do jeito que ele me deixou excitada acho que não resistiria a um beijo no pescoço e algumas palavras safadas.
Ai, Deus! Malditos hormônios!
Felipe
Encosto as costas na parede e apoio um dos meus pés nela enquanto vejo a garota de rabo de cavalo e jeans correndo para longe de mim, como se sua vida dependesse disso.
Sorrio para a imagem. Ela pensa que não percebi sua língua passar pelos lábios quando imaginou que a beijaria.
Eu fui até ali para saber como ela estava. Realmente a senti meio perdida depois daquilo, imaginei que estivesse traumatizada, pretendia me oferecer para pagar uma terapia ou algo assim. Ai as coisas tomaram outro rumo.
Sinceramente, não seria nada mal namorar essa garota. Meus dias seriam agitados, divertidos e deliciosos.
Será que devo? — Sorrio com o pensamento e pego um cigarro no bolso da calça.
Meu pai não sabe dos cigarros. Ele me colocaria em um calabouço de castigo por um mês se soubesse. Só fumo fora de casa e às vezes, geralmente quando estou com uma ideia fixa na cabeça. E de uns dias para cá essa ideia tem nome: Aurora.
Depois de terminar o cigarro e jogar a bituca na lixeira mais próxima, sigo de volta para a sala de aula. Hoje não dou muita atenção aos que os professores dizem. Meu foco é o que fazer com o dado que acabei de conseguir com um dos meus colegas; o telefone de Aurora. Carlos pegou com uma das garotas que anda com ela.
— Vai pegar a gostosa novata? — ele pergunta quando o professor sai e eu fico sentado no meu lugar, salvando o contato dela.
— O favor não foi de graça. Então, não se meta nisso e nem com ela. Aurora não é o tipo que se pega, entendeu?
— Calma, cara! Acabou de pegar o contato da garota e já está agindo como namorado ciumento?
— Por que não vai dar uma volta no brinquedinho? Uma semana passa rápido. Já está com a chave, passa lá no castelo e pega — falo me referindo ao carro de colecionador que ele me fez emprestar pelo telefone da garota.
— Não queria ver a próxima aula mesmo. — Ele olha para o colega inseparável, William, e com um aceno, saem empolgados, pegando as mochilas e fugindo por uma das rotas que os alunos usam para “matar” aula.
Já avisei em casa sobre o carro. Sem dar detalhes do motivo do empréstimo, claro.
Eu poderia pegar o telefone de outra forma, mas apesar de ser chato às vezes, Carlos é o meu amigo mais confiável nesse colégio, nunca falou mais que devia sobre nada. Seu único problema é a zueira, principalmente sobre garotas.
Agora chega de pensar nele. Dou um sorriso de lado para o celular, curioso para saber o que ela vai responde quando digito para seu W******p:
Eu: Acho que decidi namorar você. Esteja avisada.







