Mundo de ficçãoIniciar sessãoFelipe
— Uau! — murmuro sonolento, enquanto minha mão escorrega em direção a mesa de cabeceira para calar o despertador. — Que sonho foi esse?
Depois de fazer o som chato cessar, vou até o banheiro fazer minha higiene matinal e tomar banho. Meu pau está duro como pedra, o que não é estranho, já que tive um belo sonho erótico com a aluna nova. Aurora. Ela realmente brilha como uma aurora. Tinha chamado a minha atenção por ser bonita, inteligente, espirituosa. Mas confesso que não estava pensando em passar de uma amizade... O que é passado. Depois desse sonho, teremos que colocar cor nessa amizade, muita cor.
Tomo o café da manhã com meu pai e meus irmãos e depois cada um pega seu rumo. Eu sigo para o colégio. Acho que nenhum empregado comentou sobre a visita da loira ao castelo, ou eu teria que ouvir várias gracinhas à mesa.
Quando chego ao colégio, procuro pela loira na sala dela. Uma decepção; ela não está. Fico tenso. Depois daquele sonho, se tornou meio que urgente vê-la. Não sei por que. Talvez curiosidade de saber como meu corpo vai reagir ao dela agora.
No intervalo descubro que ela não veio hoje. Que droga! Terei que esperar.
Pela primeira vez na minha existência, passo as aulas distraído, distante. Quando termina vou direto para casa. Chego e encontro meu pai na sala falando ao telefone. Ele me olha com a sobrancelha franzida após desligar o telefone.
— Você está namorando? — pergunta sem rodeios.
Pronto. Descobriu a visita da garota e já está fantasiando.
— Não.
— Tem certeza?
— Que pergunta! Se eu estivesse, certeza que saberia.
Assim que respondo, seu celular toca a notificação de mensagem. Ele abre, franze o rosto novamente, então vira a tela em minha direção.
— Então, quem é essa?
Aproximo o rosto o bastante para ver na tela a cena mais improvável: Aurora desacordada em um colchão velho, ainda com o uniforme e seu rabo de cavalo.
— Porra! — meu pai me olha de cara feia pelo palavrão. — Releve, pai. E me diga o que significa isso, por favor. — Tento parecer calmo, mas por dentro estou completamente gelado do que possa ter acontecido com aquela menina meiga que acabei de conhecer.
— Recebi um telefonema daquela dupla de cafetões que ajudei a desbancar, era uma ameaça dizendo que estão com sua garota e que você deveria ir até lá para negociarem. Mas você me diz que não tem namorada. Deve ser mentira.
— É a aluna nova. Eu fiz uma brincadeira com ela e esses merdas entenderam errado. Eu preciso buscá-la. É minha culpa.
— Tudo bem. Eu a resgataria de qualquer forma. Jamais deixaria uma garota nas mãos deles. Dei a chance de passarem suas vidas na cadeia, mas parece que preferem morrer.
— Vamos acabar com isso. Não quero Aurora nem um segundo a mais naquele lugar.
*
Com alguns dos homens da família, seguimos até o endereço que foi passado. Pelo caminho traçamos a estratégia. E seguindo o plano, meu pai desceu do carro dois quarteirões antes do local e eu segui dirigindo sozinho. Pelo que soube do meu pai, as pessoas que raptaram Aurora tinha mais maldade que inteligência, por isso foram facilmente pegos quando uma das meninas “deles” tomou coragem e pediu ajuda a pessoa certa, meu pai. Foi fácil até demais destruir o “império” deles. As meninas tiveram a liberdade. E os dois, por trás de manterem elas presas, fugiram. Meu pai deixou o aviso que só aparecessem se fosse para se entregar. Pelo jeito os merdinhas decidiram arriscar.
Eu vou matá-los, só por terem feito Aurora passar por isso.
Entro no lugar e caminho. Tem câmeras em toda parte. E eles não estão sozinhos. Por onde passo vejo homens armados. Por que bandidos sempre encontram outros dispostos a fazer merda?
Sou revistado em determinada parte do caminho. Eles procuram armas.
Passo sem me importar com nenhum deles, até chegar a uma porta que se abre por uma mulher jovem. Acho que não chega nem a trinta anos. Se não me engano, ela é uma das cabeças que fugiram.
— O príncipe veio resgatar a princesa — ela diz com desdém.
— Onde ela está?
— Aqui. Esperando para começar a brincadeira. — Ela dá espaço e vejo Aurora sentada no colchão velho, com as mãos amarradas para trás e seu rabo de cavalo bagunçado. Ela não está chorando, apenas olha ao redor, como se procurasse uma saída. Ao me ver, suas sobrancelhas levantam em surpresa, ao mesmo tempo que sua expressão demonstra alivio. — Entre, meu amigo está se preparando para vocês.
Ela se deixa levar pela situação de superioridade que acha ter, o que me dá os segundos que preciso para golpeá-la e tomar sua arma. Agora está no chão, com o nariz sangrando. Simplesmente atiro em sua cabeça com sua própria arma.
Tenho poucos segundos antes dos capangas chegarem. Tempo o bastante para bloquear a porta e esperar pela chegada do meu pai enquanto ouço tiros contra a porta.
Me aproximo de Aurora, que me olha vidrada. Há pavor nos seus olhos. Ela nem reage quando desamarro seus braços. Fica me encarando como se fosse uma estátua de filme de terror que só move os olhos.
— Desculpe, bunda bonita. Eu vou te tirar dessa. — Passo a mão no seu cabelo, desfazendo o rabo de cavalo completamente. — Não se assuste com o que vou fazer agora.
Ela pisca os olhos bonitos, bastante confusa, e começa a se debater quando me coloco sobre ela, deitados no colchão velho e fedorento.
— Calma, só quero te manter a salvo dos tiros — sussurro no seu ouvido.
Ela fica imóvel.
Não demora para que os tiros diminuam e cessem. Ouço batidas na porta cheia de buracos de bala e ouço a voz do meu pai:
— É melhor que esteja vivo.







