Isadora
Descobri que o silêncio tem sons próprios quando comecei a correr sozinha, antes do dia nascer por completo. Não era o silêncio da casa grande — aquele carregado de passos contidos, de memórias mal resolvidas e respirações calculadas. Era outro. Um silêncio limpo, quase honesto, que vinha das ruas vazias, do ar frio batendo no rosto como um lembrete simples de que eu ainda estava ali.
Viva. Inteira. Em movimento.
O ritmo dos meus pés no asfalto virou um mantra involuntário. Um, dois. Um