87 - Jogo de Espelhos

Rafael

A casa parecia maior sem ela.

Não vazia — maior. Como se o silêncio tivesse se expandido pelos corredores, ocupando espaços que antes pertenciam à voz de Isadora, ao som leve dos passos dela, à presença que não precisava se anunciar para ser sentida.

Andei pelo quarto pela terceira vez, o celular na mão, encarando a tela apagada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação perdida.

Ela passou o dia anterior, inteiro me provocando. O olhar, o corpo, a tensão explícita entre nós. E agora… isso.

Saiu. Simplesmente saiu.

— Para onde você foi, Isadora? — murmurei, mais para mim do que para o quarto.

Disquei o número de Fred.

— Preciso saber para onde ela foi — ordenei, sem rodeios. — Agora.

Enquanto aguardava, sentei-me na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos. Algo não encaixava. A raiva dela por Lívia eu entendia. O afastamento, também. Mas havia algo diferente naquele dia. Um distanciamento calculado. Frio. Como se ela tivesse atravessado uma linha invisível.

O celular
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