Rafael
A casa parecia maior sem ela.
Não vazia — maior. Como se o silêncio tivesse se expandido pelos corredores, ocupando espaços que antes pertenciam à voz de Isadora, ao som leve dos passos dela, à presença que não precisava se anunciar para ser sentida.
Andei pelo quarto pela terceira vez, o celular na mão, encarando a tela apagada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação perdida.
Ela passou o dia anterior, inteiro me provocando. O olhar, o corpo, a tensão explícita entre nós. E agora… isso.
Saiu. Simplesmente saiu.
— Para onde você foi, Isadora? — murmurei, mais para mim do que para o quarto.
Disquei o número de Fred.
— Preciso saber para onde ela foi — ordenei, sem rodeios. — Agora.
Enquanto aguardava, sentei-me na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos. Algo não encaixava. A raiva dela por Lívia eu entendia. O afastamento, também. Mas havia algo diferente naquele dia. Um distanciamento calculado. Frio. Como se ela tivesse atravessado uma linha invisível.
O celular