Isadora não voltou para casa.
A constatação era simples, quase banal, mas pesava como uma sentença de morte cada vez que eu cruzava os corredores vazios. A mansão, que por um breve momento pareceu um lar, havia retornado ao seu estado natural: um museu de mármore e silêncio. Sofia me perguntou por ela cinco vezes antes do meio-dia. Respondi com a mesma mentira cuidadosa, a voz soando mais oca a cada repetição: “Ela precisou resolver algumas coisas de trabalho, mas logo volta.” A criança me olhava com aqueles olhos que pareciam ler minha alma, detectando a falha no meu sistema. Eu era um mestre em simular confiança, mas para minha filha, eu era apenas um homem tentando esconder um naufrágio.
No fim da tarde, o telefone vibrou no meu bolso. Atendi sem olhar.
— Rafael — a voz da minha mãe, d. Beatrice, veio firme, sem espaço para réplicas. — Liguei para avisar que vamos passar uns dias aí.
Endireitei o corpo automaticamente, o instinto de defesa assumindo o controle.
— Agora não é u