Rafael
A casa nunca foi silenciosa de verdade. Sempre houve o som distante do ar-condicionado, o eco discreto dos passos de funcionários, o tilintar ocasional de louças. Mas naquela manhã, depois que Isadora saiu, o silêncio era outro. Era estrutural. Como se algo essencial tivesse sido removido da fundação e o restante estivesse apenas aguardando o desabamento.
Eu permaneci parado no hall por um tempo indefinido, encarando a porta pela qual ela tinha passado. Não havia raiva. Nem choque. Só