Rafael
O som da porta da biblioteca sendo trancada ecoou pelo corredor como um tiro. Eu estava parado no meio da sala, o peito subindo e descendo, o gosto amargo do álcool de semanas atrás parecendo voltar à minha boca. Lívia ainda estava ali, limpando o canto dos lábios com um sorriso de satisfação que me dava vontade de esquecer qualquer resquício de civilidade.
— Você conseguiu — eu disse, a voz num sussurro perigoso, olhando para ela. — Você destruiu a única coisa que me mantinha humano.