Rafael
O som da porta da biblioteca sendo trancada ecoou pelo corredor como um tiro. Eu estava parado no meio da sala, o peito subindo e descendo, o gosto amargo do álcool de semanas atrás parecendo voltar à minha boca. Lívia ainda estava ali, limpando o canto dos lábios com um sorriso de satisfação que me dava vontade de esquecer qualquer resquício de civilidade.
— Você conseguiu — eu disse, a voz num sussurro perigoso, olhando para ela. — Você destruiu a única coisa que me mantinha humano.
— Eu só abri os olhos dela, Rafa — ela retrucou, cínica. — Ela precisava saber que, no fim das contas, é para mim que você corre quando o mundo desaba.
Antes que eu pudesse avançar, Eduardo se colocou entre nós. Ele me olhou com uma decepção que doeu mais do que um soco. Ele não disse nada para mim; apenas se virou para Lívia, segurou-a pelo braço com uma força que raramente usava e a arrastou para fora da mansão.
— Fora daqui! Se você colocar os pés nesta propriedade novamente sem uma ordem