Isadora
Havia uma frase em psicologia que eu sempre repetia a mim mesmo: o cérebro humano demora a se acostumar com a ausência de caos. Nos dias que se seguiram à audiência, eu me sentia exatamente assim. Eu estava feliz, mas era uma felicidade tingida de paranoia. A mansão não parecia mais uma prisão, os beijos de Rafael não eram mais simulações e Sofia florescia em uma segurança que nunca tivera. No entanto, o silêncio da bonança me assustava. De tantas perdas que acumulei, parecia que, a qualquer momento, o relógio bateria meia-noite e o castelo de cartas desabaria.
Rafael, por outro lado, parecia determinado a me integrar não apenas na sua vida pessoal, mas no seu império. Ele passou a solicitar minha presença na empresa com frequência. Não mais como a "esposa troféu", mas como um radar humano.
— O que você achou do Diretor de Operações? — ele me perguntou, fechando a porta da sala de reuniões após uma manhã exaustiva de discussões sobre a fusão com a Nexus.
— Ele evita contat