Isadora
O silêncio que se seguiu à confissão de Rafael não era vazio. Era pesado. Denso. Como se o vale inteiro tivesse prendido a respiração junto conosco. O vento cortava entre as árvores lá embaixo, fazendo as copas se moverem devagar, quase em reverência, mas eu só conseguia ouvir uma palavra — apaixonado — batendo dentro da minha cabeça como algo fora do lugar.
Era cedo demais. Tarde demais. Errado de tantas formas.
Eu o encarei tentando encontrar o homem de antes de aperto de mão firme