Isadora
O silêncio que se seguiu à confissão de Rafael não era vazio. Era pesado. Denso. Como se o vale inteiro tivesse prendido a respiração junto conosco. O vento cortava entre as árvores lá embaixo, fazendo as copas se moverem devagar, quase em reverência, mas eu só conseguia ouvir uma palavra — apaixonado — batendo dentro da minha cabeça como algo fora do lugar.
Era cedo demais. Tarde demais. Errado de tantas formas.
Eu o encarei tentando encontrar o homem de antes de aperto de mão firme e olhar calculado, o CEO que sabia exatamente o que dizer e quando dizer. Mas ele não estava ali. No lugar, havia alguém com os ombros tensos, o maxilar travado, os olhos escuros expostos de um jeito que me deixava desconfortável — como se eu estivesse vendo algo que não deveria.
— Você não pode dizer isso — sussurrei, mesmo sem soltar sua mão. — Não assim. Não depois de tudo o que aconteceu.
Engoli em seco.
— Não é assim que funciona. Não para nós.
Ele respirou fundo antes de responder, co