Isadora
O sol de 10 de setembro atravessou as frestas da cortina como um intruso indelicado, sem pedir licença, como sempre fazia nesse dia. Abri os olhos antes do despertador, com o peito pesado, o corpo cansado de carregar uma data que nunca cicatrizou.
Para o mundo, era o dia do meu nascimento.
Para mim, era o dia em que... era um péssimo dia.
O lado da cama estava vazio. Frio. Rafael já tinha saído, como de costume. Não senti rejeição — senti alívio. Não precisava fingir logo ao acordar. Não precisava sustentar o papel da esposa funcional, equilibrada, disponível.
Levantei-me devagar, como se cada movimento exigisse uma negociação interna. Vesti o robe, respirei fundo diante do espelho e forcei o rosto a assumir a neutralidade que aprendi a usar como armadura. Mulher madura. Forte.
A máscara de sempre.
Pouco depois, a porta se abriu com uma explosão de vozes.
— Parabéns pra você…
Sofia entrou primeiro, sorrindo como se o mundo fosse simples. Mariana vinha logo atrás, segu