Isadora
O sol de 10 de setembro atravessou as frestas da cortina como um intruso indelicado, sem pedir licença, como sempre fazia nesse dia. Abri os olhos antes do despertador, com o peito pesado, o corpo cansado de carregar uma data que nunca cicatrizou.
Para o mundo, era o dia do meu nascimento.
Para mim, era o dia em que... era um péssimo dia.
O lado da cama estava vazio. Frio. Rafael já tinha saído, como de costume. Não senti rejeição — senti alívio. Não precisava fingir logo ao acordar