Isadora
As paredes da mansão Vaz pareciam estar se fechando sobre mim. O silêncio entre Rafael e eu não era apenas a ausência de som; era uma massa densa, fria e asfixiante que preenchia cada corredor. Eu não conseguia respirar naquele luxo que, agora, parecia uma vitrine de mentiras.
Precisei sair. Liguei para Eduardo, que desde o meu casamento havia se mudado para um apartamento próprio, mas que continuava sendo o porto seguro de Sofia. Ele aceitou ficar com ela imediatamente, com aquela gentileza que me fazia sentir ainda mais culpada por estar vivendo uma farsa.
Fugi para a casa de Mariana. Minha melhor amiga sempre teve o dom de ler o que eu tentava esconder sob a máscara de psicóloga.
— Ele achou que eu o traí, Mari — comecei mexendo no café com os olhos fixos na xícara. — Foi uma armadilha da Lívia. Ela me dopou, armou uma cena com um homem... e o Rafael simplesmente acreditou no que viu. Ele me deixou lá.
Desabafei por quase uma hora, mas quanto mais eu falava, mais o olh