Rafael
Abri a porta do quarto dela com o peito apertado, pronto para me ajoelhar se fosse preciso. Mas o vazio me atingiu como um soco. A cama estava perfeitamente arrumada, o silêncio era absoluto e o perfume de lavanda parecia uma despedida. O pânico, um sentimento que eu não experimentava há décadas, subiu pela minha garganta. Ela foi embora. Eu a destruí e ela simplesmente desapareceu.
Caminhei pelo corredor como um espectro, sentindo o peso da mansão esmagar meus ombros. Entrei no meu próprio quarto, pronto para me afogar em mais remorso, mas parei no primeiro passo.
Lá estava ela.
Isadora não estava na cama. Estava sentada em uma das cadeiras de carvalho, com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos enterradas nos cabelos. Ela parecia pequena, frágil, mas quando ouviu o som da porta, ela se ergueu.
— Onde você estava? — As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse contê-las. Eu queria abraçá-la, mas o tom saiu como uma exigência.
— Onde eu estava? — Ela riu, um som