Isadora
A mansão não era mais uma casa, era um organismo vivo, pulsante e barulhento. Das janelas do andar superior, eu observava a metamorfose. O jardim, antes o refúgio de Sofia, agora estava soterrado por metros de carpete branco, colunas de flores raras e uma estrutura de cristal que refletia o sol impiedoso de São Paulo. Era tudo grande demais. Caro, demais. Público demais.
A cada martelada lá fora, um nervosismo novo se instalava no meu peito. Eu não era uma noiva; era uma peça de marketing sendo polida para uma vitrine mundial.
Para fugir do sufocamento, desci para o jardim bem cedo. Sofia estava inquieta, sentindo a vibração caótica da casa.
— Vamos pintar pedras, Isa? — ela pediu, os olhos brilhando.
Não tive coragem de dizer não. Talvez fosse minha última hora de liberdade antes de me tornar "A Esposa". Nos sentamos no chão, longe da montagem principal. Em minutos, eu estava suja de tinta guache até os cotovelos. Manchas azuis e amarelas decoravam minha roupa casua