Rafael
O carro entrou na propriedade sem aviso, e algo dentro de mim soube antes mesmo de eu ver. Não era paranoia. Era memória. Alguns sons se instalam na gente como cicatrizes antigas. O motor grave, contido, sem excesso — o tipo de carro que não precisa anunciar poder porque já o carrega consigo.
Levantei-me devagar da poltrona. Eduardo percebeu o movimento e fechou o notebook.
— Está esperando alguém? — perguntou.
— Não — respondi, com a mandíbula tensa. Eu sabia quem era. A única pessoa