Isadora
O jantar começou como qualquer outro — e foi exatamente isso que me deixou em alerta.
Nada de perguntas invasivas, nada de olhares duros ou comentários atravessados. A mesa estava posta com simplicidade elegante, sem excessos. Sofia falava animada sobre a escola, sobre um desenho que havia feito mais cedo, sobre como gostava do quarto da casa de campo. Beatrice a escutava com atenção verdadeira, fazendo perguntas pontuais, sorrindo nos momentos certos. Rafael permanecia quase em silêncio, diferente de tudo o que eu conhecia nele.
Ele não comandava a conversa.
Não interrompia.
Não corrigia ninguém.
Parecia… resignado.
Isso me inquietava mais do que qualquer explosão.
Beatrice conduzia o jantar como quem conduz uma dança lenta. Não havia pressa. Não havia tensão aparente. Apenas observação. Eu sentia seus olhos sobre mim mesmo quando ela não me encarava diretamente — como se analisasse minhas reações nos intervalos, nos gestos pequenos, na forma como eu servia Sofia ante