Isadora
Minha cabeça girava pela intensidade da manhã. O quarto de Rafael estava banhado pela luz forte do meio-dia que invadia as frestas das cortinas. Ainda era cedo para o almoço, mas tarde demais para o nosso autocontrole. Eu estava totalmente nua, enrolada nos lençóis de seda do quarto dele. O cheiro de nós dois – suor, perfume caro e sexo — pairava no ar.
Eu estava exausta, esgotada pela fúria que se transformou em desejo. A mão dele estava pesada e possessiva sobre minha cintura. Não tínhamos dormido; havíamos lutado e nos consumido em um ciclo vicioso de negação e rendição.
Eu me virei devagar, observando-o. Rafael estava deitado de barriga para cima, o peito subindo e descendo com força, ainda ofegante. A luz revelava o contorno de seu peito forte e a leve marca vermelha onde minha mão havia atingido o rosto dele. Ele estava desperto, os olhos semicerrados e satisfeitos, e mesmo assim, exalava domínio.
A memória daquela manhã era implacável.
Ele nunca parou de dar ordens