Rafael
O ar no quarto parecia saturado de eletricidade estática. Eu podia sentir o olhar de Isadora em minhas costas enquanto eu caminhava em direção ao banheiro, mas cada passo que eu dava para longe dela parecia um esforço de vontade sobre-humano. Meus músculos ainda guardavam a memória do calor da pele dela, da forma como ela havia se entregue a mim naquela madrugada — uma entrega que foi, ao mesmo tempo, a coisa mais viva que senti em anos e a mais assustadora.
Eu estava andando em ovos.