Nada foi anunciado.
Essa foi a primeira regra.
Nenhum comunicado oficial. Nenhuma nota à imprensa. Nenhuma explicação antecipada. O plano não dependia de palavras, nem de justificativas públicas. Dependia de algo muito mais difícil de controlar: presença.
Lorenzo saiu naquela manhã como sempre saía. Pontual. Impecável. Inatingível. O mesmo ritmo calculado, a mesma postura que não deixava margens para leitura emocional.
A diferença era simples — e suficiente para alterar tudo.
Dessa vez, eu estava no carro com ele.
Não no banco da frente.
Não como acompanhante declarada.
Não como alguém apresentada ou anunciada.
Apenas ali.
O silêncio dentro do carro era funcional, não constrangedor. O tipo de silêncio que existe quando cada gesto já foi pensado antes de acontecer.
— Não fale — disse ele, enquanto o motorista fechava a porta. — Não explique. Não sorria para câmeras.
Não havia rigidez no tom. Nem urgência. Apenas instrução.
— E se perguntarem? — perguntei.
Ele ajustou o botão da manga d