O domingo começava sempre do mesmo jeito.
O cheiro de alho refogado vinha da cozinha antes mesmo de alguém falar bom dia. Minha mãe se movia entre o fogão e a pia com precisão automática, como se aquele fosse um percurso decorado há décadas. Meu pai lia o jornal na mesa, óculos baixos no nariz, xícara de café esquecida ao lado.
Pedro chegava pouco depois do meio-dia.
Nunca atrasado.
Nunca cedo demais.
Batidas firmes no portão. Duas. Sempre duas.
— Chegou — disse Ana, largando o caderno no sofá