A cidade nunca dormia completamente.
Mesmo de madrugada, sempre havia algum som atravessando a janela do quarto apertado da república: um ônibus passando tarde demais, risadas vindas da rua, alguém discutindo no apartamento vizinho, música baixa que parecia não acabar nunca. No começo, eu acordava assustada, tentando localizar onde estava. Depois, aprendi a dormir por cansaço.
Dividia o quarto com mais duas meninas. Beliches, malas empilhadas, roupas penduradas onde dava. O espaço nunca estava