8

— Meu Deus... — passo a mão pelo rosto e pouso-a sobre minha boca. — E a alta?

— Como ela reclama de muita dor, vamos colocar o gesso e deixar ela em observação essa noite. Dependendo dos resultados amanhã, vemos se será possível a ida para casa.

— E eu posso ficar ou...?

— Imagino que a senhorita deva trabalhar. — assinto, lembrando das mensagens que haviam chegado no celular. — Então pode ir para casa tranquila. Cuidaremos da sua irmã.

— E me ligam para qualquer coisa?

— Claro que sim.

Ela toca nas minhas costas e me conduz até o quarto, para que eu possa me despedir de Amelia. Após dar um beijo em sua testa e pegar a minha bolsa, saio do hospital. Estava no ponto de ônibus, quando meu celular toca. O nome do meu namorado pisca na tela, e eu preciso respirar fundo antes de atender.

— Fala. — faço sinal para o ônibus.

— Onde está?

— Indo para casa e sem paciência para brigar.

— Não quero brigar. Quero conversar.

— Comece explicando o que foi fazer na minha casa. Eu não tinha o convidado.

— Eu te liguei o dia todo! — Hugo aumenta a voz. — Achei que eu tinha feito algo e que estava com raiva de mim. Precisava ir até você. Chego lá e encontro sua irmã que me odeia, com um enorme gesso na perna, com a notícia de que você agora está trabalhando com aqueles caras. Por que não me falou?

— Foi tudo muito rápido. Ela chegou em casa sendo carregada por Louis e Cody e me pediu para substitui-la. Eu não pude recusar e nem tive tempo para dizer a você.

— Não teve tempo de dizer ao SEU NAMORADO, que iria trabalhar com esses merdinhas? Sério?

— Não vou ficar ouvindo esses insultos. — resmungo e abaixo o tom da minha voz. — The Mines é incrível, quando se conhece. Eles são... não dá para descrever.

— Um dia com eles e já elogia dessa forma? Não estou te reconhecendo.

— E a Amelia? — mudo de assunto e me mexo desconfortável. Uma garota me encarava parcialmente e aquilo estava me irritando. — Como ela foi parar no chão? Como ela fodeu a coluna?

— Eu não a empurrei, Dakota. Eu juro. Ela se desiquilibrou com a muleta e caiu. Eu mal tive tempo de notar. 

— E a largou lá por quê? 

— Ela me fez sair. Ainda no chão, entre os gritos de dor, me mandou sair.

— E você saiu? — aumento a voz. — Hugo... se tivesse acontecido algo mais sério com a minha irmã, eu não sei o que faria...

— E já que não aconteceu, vai fazer o que? — ele suspira. — Eu quero te ver. Amanhã. Por favor.

— Não da. Amanhã eu tenho milhares de coisas para fazer com os meninos e...

Hugo solta uma risada irônica.

— Quero só ver quando irá lembrar que tem um namorado. E eu espero que não se lembre de mim apenas quando quiser sexo.

Assim que ele desliga a ligação, sem ao menos me dar a chance de falar mais alguma coisa, o outro celular toca. Era Cody.

— Oi, Cody... — falo baixo e com tom cansado. Eu só queria dormir.

— E aí? Como ela está?

— Bem... internada para observação. Na queda, ela fraturou a coluna, mas não foi algo muito grave. Terá que engessar e ficar em completo repouso. — suspiro. — Amanhã provavelmente ela terá alta.

— E você? Onde está?

— Quase em casa. Como foi a festa?

— Fizemos o nosso dever..., mas não conseguíamos parar de pensar nela.

— Sei que não. — suspiro. — Mas ela já está bem e logo estará em casa. E nós temos muita coisa para fazer amanhã. Então descanse e não se preocupe com ela.

— Vou tentar. Enfim, até amanhã. Boa noite.

— Boa noite, Cody.

Depois de alguns minutos, desço no ponto perto de casa e caminho até lá. Assim que entro no apartamento, ignoro a pequena zona na sala e vou diretamente para o banheiro.

Estava no meio do meu banho, quando a campainha começa a tocar insistentemente. Sem outra opção, enrolo-me na toalha e vou aos pingos, atender a porta.

— Não acredito que você veio até aqui.

Abandono a porta, e entro apertando a toalha contra o meu corpo.

— Eu disse que precisamos conversar.

Reviro os olhos para Hugo e o encaro.

— Então fala. — cruzo os braços.  — Estou cansada e no meio do banho.

— Você vai me deixar?

— Que?

— Arrumou um trabalho. O que sua irmã sempre quis. O próximo passo é me deixar?

Desarmo todas as minhas barreiras e deixo meus braços caírem.

Eu odiava aquela cara de cachorrinho que caiu da mudança, que Hugo fazia. Caminho para mais perto dele e pego em sua mão.

— Não vou fazer isso. — digo. — Aquele trabalho, é para ajudar Amelia. Nada vai me manter longe de você.

— Promete?

Engulo em seco e acabo por assentir. Eu sabia que não gostava dele, mas também não queria magoá-lo. 

— Vem tomar banho comigo? — viro-me de costas e deixo a toalha cair. — A água está uma delícia.

[...]

— Droga, droga, droga. — resmungo, passando entre as rápidas pessoas, me esforçando para não derramar os quatro cafés que carregava. — Odeio estar atrasada.

Hoje os meninos teriam uma reunião, para começar a organização da nova turnê. E pelo meu relógio, essa reunião começou em dez minutos. E eu estava praticamente correndo pelas ruas, tentando não derramar os cafés.

— Bom dia, Martin. — cumprimento o recepcionista do prédio.

— Bom dia, senhorita. Atrasada?

— Super.

Aperto o botão do elevador várias vezes, e bato meu pé na intensidade que espero.

— Você!

Olho na direção da porta e vejo uma garota loira, adentrar o ambiente com uma criança nos braços. 

— Você trabalha com os garotos, não é? The Mines. — fico com o olhar meio vago, pois não sabia se devia deixar ela saber que sim. — Sou Adriana. Você sabe quem sou... ou não. Enfim, entregue Lucca para Louis. Eu preciso viajar e não tenho com quem deixá-lo. Então...

— Eu...

Antes que eu pudesse pensar em algo, ela coloca o garoto de forma desajeitada, em meu braço livre e sai correndo do prédio, após beijar a testa da criança.

— Isso é sério? — pergunto ao porteiro, que apenas dá de ombros. — Aí Lucca... meu cabelo. O que é isso? Pirulito? Jura? Está pegando no meu cabelo, com a mão melecada de pirulito?

O bebê ri, quando eu choramingo e entro no elevador. Olhando-o pelo espelho, pude notar o quão parecido com Louis ele era. Até o perfeito nariz.

Lucca pronuncia algo indecifrável e toca o meu rosto, com a mesma mão suja.

— Seu pai vai ficar muito feliz em te ver.

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