Mundo de ficçãoIniciar sessão— Meu Deus... — passo a mão pelo rosto e pouso-a sobre minha boca. — E a alta?
— Como ela reclama de muita dor, vamos colocar o gesso e deixar ela em observação essa noite. Dependendo dos resultados amanhã, vemos se será possível a ida para casa.
— E eu posso ficar ou...?
— Imagino que a senhorita deva trabalhar. — assinto, lembrando das mensagens que haviam chegado no celular. — Então pode ir para casa tranquila. Cuidaremos da sua irmã.
— E me ligam para qualquer coisa?
— Claro que sim.
Ela toca nas minhas costas e me conduz até o quarto, para que eu possa me despedir de Amelia. Após dar um beijo em sua testa e pegar a minha bolsa, saio do hospital. Estava no ponto de ônibus, quando meu celular toca. O nome do meu namorado pisca na tela, e eu preciso respirar fundo antes de atender.
— Fala. — faço sinal para o ônibus.
— Onde está?
— Indo para casa e sem paciência para brigar.
— Não quero brigar. Quero conversar.
— Comece explicando o que foi fazer na minha casa. Eu não tinha o convidado.
— Eu te liguei o dia todo! — Hugo aumenta a voz. — Achei que eu tinha feito algo e que estava com raiva de mim. Precisava ir até você. Chego lá e encontro sua irmã que me odeia, com um enorme gesso na perna, com a notícia de que você agora está trabalhando com aqueles caras. Por que não me falou?
— Foi tudo muito rápido. Ela chegou em casa sendo carregada por Louis e Cody e me pediu para substitui-la. Eu não pude recusar e nem tive tempo para dizer a você.
— Não teve tempo de dizer ao SEU NAMORADO, que iria trabalhar com esses merdinhas? Sério?
— Não vou ficar ouvindo esses insultos. — resmungo e abaixo o tom da minha voz. — The Mines é incrível, quando se conhece. Eles são... não dá para descrever.
— Um dia com eles e já elogia dessa forma? Não estou te reconhecendo.
— E a Amelia? — mudo de assunto e me mexo desconfortável. Uma garota me encarava parcialmente e aquilo estava me irritando. — Como ela foi parar no chão? Como ela fodeu a coluna?
— Eu não a empurrei, Dakota. Eu juro. Ela se desiquilibrou com a muleta e caiu. Eu mal tive tempo de notar.
— E a largou lá por quê?
— Ela me fez sair. Ainda no chão, entre os gritos de dor, me mandou sair.
— E você saiu? — aumento a voz. — Hugo... se tivesse acontecido algo mais sério com a minha irmã, eu não sei o que faria...
— E já que não aconteceu, vai fazer o que? — ele suspira. — Eu quero te ver. Amanhã. Por favor.
— Não da. Amanhã eu tenho milhares de coisas para fazer com os meninos e...
Hugo solta uma risada irônica.
— Quero só ver quando irá lembrar que tem um namorado. E eu espero que não se lembre de mim apenas quando quiser sexo.
Assim que ele desliga a ligação, sem ao menos me dar a chance de falar mais alguma coisa, o outro celular toca. Era Cody.
— Oi, Cody... — falo baixo e com tom cansado. Eu só queria dormir.
— E aí? Como ela está?
— Bem... internada para observação. Na queda, ela fraturou a coluna, mas não foi algo muito grave. Terá que engessar e ficar em completo repouso. — suspiro. — Amanhã provavelmente ela terá alta.
— E você? Onde está?
— Quase em casa. Como foi a festa?
— Fizemos o nosso dever..., mas não conseguíamos parar de pensar nela.
— Sei que não. — suspiro. — Mas ela já está bem e logo estará em casa. E nós temos muita coisa para fazer amanhã. Então descanse e não se preocupe com ela.
— Vou tentar. Enfim, até amanhã. Boa noite.
— Boa noite, Cody.
Depois de alguns minutos, desço no ponto perto de casa e caminho até lá. Assim que entro no apartamento, ignoro a pequena zona na sala e vou diretamente para o banheiro.
Estava no meio do meu banho, quando a campainha começa a tocar insistentemente. Sem outra opção, enrolo-me na toalha e vou aos pingos, atender a porta.
— Não acredito que você veio até aqui.
Abandono a porta, e entro apertando a toalha contra o meu corpo.
— Eu disse que precisamos conversar.
Reviro os olhos para Hugo e o encaro.
— Então fala. — cruzo os braços. — Estou cansada e no meio do banho.
— Você vai me deixar?
— Que?
— Arrumou um trabalho. O que sua irmã sempre quis. O próximo passo é me deixar?
Desarmo todas as minhas barreiras e deixo meus braços caírem.
Eu odiava aquela cara de cachorrinho que caiu da mudança, que Hugo fazia. Caminho para mais perto dele e pego em sua mão.
— Não vou fazer isso. — digo. — Aquele trabalho, é para ajudar Amelia. Nada vai me manter longe de você.
— Promete?
Engulo em seco e acabo por assentir. Eu sabia que não gostava dele, mas também não queria magoá-lo.
— Vem tomar banho comigo? — viro-me de costas e deixo a toalha cair. — A água está uma delícia.
[...]
— Droga, droga, droga. — resmungo, passando entre as rápidas pessoas, me esforçando para não derramar os quatro cafés que carregava. — Odeio estar atrasada.
Hoje os meninos teriam uma reunião, para começar a organização da nova turnê. E pelo meu relógio, essa reunião começou em dez minutos. E eu estava praticamente correndo pelas ruas, tentando não derramar os cafés.
— Bom dia, Martin. — cumprimento o recepcionista do prédio.
— Bom dia, senhorita. Atrasada?
— Super.
Aperto o botão do elevador várias vezes, e bato meu pé na intensidade que espero.
— Você!
Olho na direção da porta e vejo uma garota loira, adentrar o ambiente com uma criança nos braços.
— Você trabalha com os garotos, não é? The Mines. — fico com o olhar meio vago, pois não sabia se devia deixar ela saber que sim. — Sou Adriana. Você sabe quem sou... ou não. Enfim, entregue Lucca para Louis. Eu preciso viajar e não tenho com quem deixá-lo. Então...
— Eu...
Antes que eu pudesse pensar em algo, ela coloca o garoto de forma desajeitada, em meu braço livre e sai correndo do prédio, após beijar a testa da criança.
— Isso é sério? — pergunto ao porteiro, que apenas dá de ombros. — Aí Lucca... meu cabelo. O que é isso? Pirulito? Jura? Está pegando no meu cabelo, com a mão melecada de pirulito?
O bebê ri, quando eu choramingo e entro no elevador. Olhando-o pelo espelho, pude notar o quão parecido com Louis ele era. Até o perfeito nariz.
Lucca pronuncia algo indecifrável e toca o meu rosto, com a mesma mão suja.
— Seu pai vai ficar muito feliz em te ver.







