Mundo de ficçãoIniciar sessão— Não foi bem assim.
— Foi sim, Leo! — Cody rebate. — Nós sabemos e respeitamos o fato de Zed ser seu melhor amigo, mas você está ciente do porquê que ele fez aquilo. Ele expôs muita coisa, para quem sempre foi o cara calado.
— Uma hora todos explodimos.
— Então quer dizer que você faria uma canalhice daquela? — Louis pergunta, aumentando a voz. — Nós amamos o Zed, mas temos que admitir os erros dele.
— Louis... — toco em seu braço e ele me olha. — não se exalte. Desculpa por ter tocado nesse assunto. Eu devia ter escutado minha irmã.
— Está tudo bem, Dakota. — Jason me tranquiliza. — Nós brigamos sobre isso direto.
— Pois não deviam. Ele não fez a escolha dele? Deixa para lá. Sigam a vida de vocês, fazendo o que fazem de melhor.
O silêncio se instala na mesa.
Quando a comida chega, Louis diz:
— Sinto falta dele.
Ele esconde seu rosto nas mãos por breves segundos, antes de se levantar furiosamente e ir na direção do banheiro.
— Eu... — faço menção de me levantar.
— Fica. — Leo diz. — Eu vou. É um banheiro masculino, afinal.
Assim que Leo sai, Cody e Jason ficam cabisbaixos.
— Por mais que o mundo pense, que eu e Louis somos muito próximos, ele e Zed eram muito mais. — Cody diz. — Tinham mais coisas em comum. E é por isso, que não gostamos de falar dele. Principalmente em entrevistas. Gera desconforto e muito mal-estar.
— Quando eu fiz aquela pergunta lá no programa. Eu machuquei vocês. Não foi?
Jason solta uma risada quase cômica.
— Nós sabíamos quem era você. — diz. — A desafiadora irmã da Amelia. Então apenas respondemos. Mas em momentos assim, mais íntimos, é complicado.
O assunto acaba, quando Leo volta com Louis. O garoto se senta ao meu lado, com a expressão tão triste, que eu só consigo me sentir mal.
— Ei, Louis? Desculpa, de verdade. Não queria deixar você dessa forma.
— Está tudo bem, Dakota. — ele me olha e sorri de lado. — Mas... Se quiser me deixar melhor, me faz um favor?
— Claro.
— Vem com a gente na festa de hoje.
Olho para os outros meninos, que assentiam.
— Impossível recusar um pedido com vocês me olhando dessa forma.
Depois de tanto desgaste emocional, nós finalmente pudemos comer. E após Jason implorar por uma sobremesa e devorá-la inteira, nós vamos para o local das fotos.
[...]
— Ao ar livre? — Leo questiona. — Gostei.
— Serão apenas as fotos de pôsteres. Depois vamos para dentro e tiramos as outras.
Assisto toda a sessão de fotos ao ar livre, com o celular de Louis filmando tudo. Ele disse gostar de enviar vídeos seus jogando bola, — uma das interações que as fotos pediam — para o seu filho Lucca.
A sessão dentro do estúdio, foi tão animada quanto a outra. Os meninos brincavam uns com os outros, gerando ótimas fotos.
Quando eles acabam e estão vendo as fotos que tiraram, o celular destinado ao trabalho toca. Eu conhecia aquele número. Era Amelia.
— Amelia? — atendo, já pegando o meu celular.
Ele tinha trilhões de ligações e chamadas de Hugo e algumas da minha irmã.
— Onde está? — ela pergunta, pausadamente.
— Os meninos terminaram a sessão de fotos agora. Eles vão tomar um banho e trocar de roupa, para irmos à festa.
— Eu preciso de você.
— O que aconteceu? — levanto do sofá, já alarmada.
— Hugo esteve aqui.
— O que?
Abro uma das mensagens dela, e leio ao mesmo tempo que ela fala.
— Nós brigamos e ele me empurrou. O gesso quebrou e estou com muita dor na coluna.
— ELE FEZ O QUE? — grito. — Estou indo agora.
Desligo a ligação rapidamente e me preparo para sair, quando os garotos vêm correndo até mim.
— O que aconteceu? — Cody pergunta, parando na minha frente. — Aonde vai?
— Preciso ir para casa. A Amelia... Ela... O gesso quebrou. Ela caiu... Ou...
— Eu vou com você.
— Não! Você tem que ir fazer aquela presença.
— Eu não vou te deixar ir sozinha. A Amelia...
— Eu resolvo, Cody. De verdade. E aviso a vocês depois.
— Mas...
— Deixa ela ir, Cody. — Louis diz, segurando o braço do amigo. — Qualquer coisa nos chame, por favor.
— Tudo bem. Tchau, meninos.
Saio do prédio em disparada e logo pego um táxi. Depois de dizer o endereço, ligo para Hugo.
— Dakota...
— O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA IRMÃ?
— Ela caiu.
— VOCÊ A EMPURROU.
— Eu imaginei que ela diria algo assim. — ele ri. — Mas eu não a empurrei. Ela tropeçou e caiu.
— Mentira...
— Sua irmã é louca para me manter afastado de você. Não vê o que ela está fazendo?
— Ela não mentiria. — digo, mesmo sem muita convicção.
— E eu mentiria? Parece que não me conhece.
— Hugo, vou desligar.
— Nós precisamos conversar. Hoje.
— Não vai rolar. Tchau.
Desligo e passo o resto do caminho para casa, quebrando a cabeça para tentar descobrir quem pode estar mentindo.
[...]
Assim que adentro o apartamento, posso ouvir os resmungos de dor da minha irmã. Ela está caída próxima à mesinha de centro e de barriga para cima. Era possível ver uma lasca do gesso, na quina da mesinha.
— Amelia! — largo minha bolsa no chão e ajoelho ao lado da minha irmã. — Ei, acorda!
Dou pequenos t***s em seu rosto, até que ela abre seus pequenos olhos castanhos e me encara.
— Dakota...
— Não fala nada. Eu já chamei uma ambulância e eles devem estar chegando. Só fica acordada.
— Dako...
Quando a campainha toca, levanto rapidamente e deixo que os paramédicos a coloquem na maca. Logo estamos na ambulância, a caminho do hospital.
[...]
Eu andava de um lado para o outro, esperando que um médico viesse logo falar comigo. Amelia gemia e chorava de dor na coluna. Então um enfermeiro a sedou, para que ela não sofresse tanto.
— Senhorita Mitchell? — ergo o olhar e encaro o homem a porta. — Pode me acompanhar, por favor?
Olho para minha irmã, antes de acompanhar o médico até uma pequena sala, onde havia alguns raios x.
— Esse é o raio x da coluna da sua irmã. — ele aponta para uma vertebra. — Nota um pequeno desvio? — eu não tinha visto nada, mas assenti. — Não é grave e ela não precisará de cirurgia, mas iremos engessar e ela terá que ficar em COMPLETO repouso.
— Isso significa deitada e sem sair para nada?
— Se tentar evitar a ida dela ao banheiro, melhor para a recuperação. Até porque, ela estará com a perna engessada também.
Suspiro e assinto.
— Tem alguma previsão de quanto tempo ela terá que ficar com isso?
— Bem... — ele passa a mão no cabelo volumoso. — inicialmente, um mês. Aí ela voltará, iremos tirar outro raio x e ver como está. Se estiver tudo bem, ela fica sem ele. Senão, mais um mês.







