7

— Não foi bem assim.

— Foi sim, Leo! — Cody rebate. — Nós sabemos e respeitamos o fato de Zed ser seu melhor amigo, mas você está ciente do porquê que ele fez aquilo. Ele expôs muita coisa, para quem sempre foi o cara calado.

— Uma hora todos explodimos.

— Então quer dizer que você faria uma canalhice daquela? — Louis pergunta, aumentando a voz. — Nós amamos o Zed, mas temos que admitir os erros dele.

— Louis... — toco em seu braço e ele me olha. — não se exalte. Desculpa por ter tocado nesse assunto. Eu devia ter escutado minha irmã.

— Está tudo bem, Dakota. — Jason me tranquiliza. — Nós brigamos sobre isso direto.

— Pois não deviam. Ele não fez a escolha dele? Deixa para lá. Sigam a vida de vocês, fazendo o que fazem de melhor.

O silêncio se instala na mesa.

Quando a comida chega, Louis diz:

— Sinto falta dele.

Ele esconde seu rosto nas mãos por breves segundos, antes de se levantar furiosamente e ir na direção do banheiro.

— Eu... — faço menção de me levantar.

— Fica. — Leo diz. — Eu vou. É um banheiro masculino, afinal.

Assim que Leo sai, Cody e Jason ficam cabisbaixos.

— Por mais que o mundo pense, que eu e Louis somos muito próximos, ele e Zed eram muito mais. — Cody diz. — Tinham mais coisas em comum. E é por isso, que não gostamos de falar dele. Principalmente em entrevistas. Gera desconforto e muito mal-estar.

— Quando eu fiz aquela pergunta lá no programa. Eu machuquei vocês. Não foi?

Jason solta uma risada quase cômica.

— Nós sabíamos quem era você. — diz. — A desafiadora irmã da Amelia. Então apenas respondemos. Mas em momentos assim, mais íntimos, é complicado.

O assunto acaba, quando Leo volta com Louis. O garoto se senta ao meu lado, com a expressão tão triste, que eu só consigo me sentir mal.

— Ei, Louis? Desculpa, de verdade. Não queria deixar você dessa forma.

— Está tudo bem, Dakota. — ele me olha e sorri de lado. — Mas... Se quiser me deixar melhor, me faz um favor?

— Claro.

— Vem com a gente na festa de hoje.

Olho para os outros meninos, que assentiam.

— Impossível recusar um pedido com vocês me olhando dessa forma.

Depois de tanto desgaste emocional, nós finalmente pudemos comer. E após Jason implorar por uma sobremesa e devorá-la inteira, nós vamos para o local das fotos.

[...]

— Ao ar livre? — Leo questiona. — Gostei.

— Serão apenas as fotos de pôsteres. Depois vamos para dentro e tiramos as outras.

Assisto toda a sessão de fotos ao ar livre, com o celular de Louis filmando tudo. Ele disse gostar de enviar vídeos seus jogando bola, — uma das interações que as fotos pediam — para o seu filho Lucca.

A sessão dentro do estúdio, foi tão animada quanto a outra. Os meninos brincavam uns com os outros, gerando ótimas fotos.

Quando eles acabam e estão vendo as fotos que tiraram, o celular destinado ao trabalho toca. Eu conhecia aquele número. Era Amelia.

— Amelia? — atendo, já pegando o meu celular.

Ele tinha trilhões de ligações e chamadas de Hugo e algumas da minha irmã.

— Onde está? — ela pergunta, pausadamente.

— Os meninos terminaram a sessão de fotos agora. Eles vão tomar um banho e trocar de roupa, para irmos à festa.

— Eu preciso de você.

— O que aconteceu? — levanto do sofá, já alarmada.

— Hugo esteve aqui.

— O que?

Abro uma das mensagens dela, e leio ao mesmo tempo que ela fala.

— Nós brigamos e ele me empurrou. O gesso quebrou e estou com muita dor na coluna.

— ELE FEZ O QUE? — grito. — Estou indo agora.

Desligo a ligação rapidamente e me preparo para sair, quando os garotos vêm correndo até mim.

— O que aconteceu? — Cody pergunta, parando na minha frente. — Aonde vai?

— Preciso ir para casa. A Amelia... Ela... O gesso quebrou. Ela caiu... Ou...

— Eu vou com você.

— Não! Você tem que ir fazer aquela presença.

— Eu não vou te deixar ir sozinha. A Amelia...

— Eu resolvo, Cody. De verdade. E aviso a vocês depois.

— Mas...

— Deixa ela ir, Cody. — Louis diz, segurando o braço do amigo. — Qualquer coisa nos chame, por favor.

— Tudo bem. Tchau, meninos.

Saio do prédio em disparada e logo pego um táxi. Depois de dizer o endereço, ligo para Hugo.

— Dakota...

— O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA IRMÃ?

— Ela caiu.

— VOCÊ A EMPURROU.

— Eu imaginei que ela diria algo assim. — ele ri. — Mas eu não a empurrei. Ela tropeçou e caiu.

— Mentira...

— Sua irmã é louca para me manter afastado de você. Não vê o que ela está fazendo?

— Ela não mentiria. — digo, mesmo sem muita convicção.

— E eu mentiria? Parece que não me conhece.

— Hugo, vou desligar.

— Nós precisamos conversar. Hoje.

— Não vai rolar. Tchau.

Desligo e passo o resto do caminho para casa, quebrando a cabeça para tentar descobrir quem pode estar mentindo.

[...]

Assim que adentro o apartamento, posso ouvir os resmungos de dor da minha irmã. Ela está caída próxima à mesinha de centro e de barriga para cima. Era possível ver uma lasca do gesso, na quina da mesinha.

— Amelia! — largo minha bolsa no chão e ajoelho ao lado da minha irmã. — Ei, acorda!

Dou pequenos t***s em seu rosto, até que ela abre seus pequenos olhos castanhos e me encara.

— Dakota...

— Não fala nada. Eu já chamei uma ambulância e eles devem estar chegando. Só fica acordada.

— Dako...

Quando a campainha toca, levanto rapidamente e deixo que os paramédicos a coloquem na maca. Logo estamos na ambulância, a caminho do hospital.

[...]

Eu andava de um lado para o outro, esperando que um médico viesse logo falar comigo. Amelia gemia e chorava de dor na coluna. Então um enfermeiro a sedou, para que ela não sofresse tanto.

— Senhorita Mitchell? — ergo o olhar e encaro o homem a porta. — Pode me acompanhar, por favor?

Olho para minha irmã, antes de acompanhar o médico até uma pequena sala, onde havia alguns raios x.

— Esse é o raio x da coluna da sua irmã. — ele aponta para uma vertebra. — Nota um pequeno desvio? — eu não tinha visto nada, mas assenti. — Não é grave e ela não precisará de cirurgia, mas iremos engessar e ela terá que ficar em COMPLETO repouso.

— Isso significa deitada e sem sair para nada?

— Se tentar evitar a ida dela ao banheiro, melhor para a recuperação. Até porque, ela estará com a perna engessada também.

Suspiro e assinto.

— Tem alguma previsão de quanto tempo ela terá que ficar com isso?

— Bem... — ele passa a mão no cabelo volumoso. — inicialmente, um mês. Aí ela voltará, iremos tirar outro raio x e ver como está. Se estiver tudo bem, ela fica sem ele. Senão, mais um mês.

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