Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando estava perto do local informado, eu recebi uma mensagem, pedindo que comprasse quatro cafés. Tinha até as informações de como seria cada um deles. E o que estava grifado em negrito: use o cartão da empresa.
Pelo que minha irmã me informou, eu poderia usar aquele cartão para suprir todas as necessidades. Fossem elas minhas ou dos garotos. Portanto que fosse em horário de trabalho.
Então depois de comprar os cafés, entro no prédio da rádio e informo meu nome. Eles me entregam um crachá e dizem onde eu posso encontrar todos eles.
Confesso que não foi difícil de achar, pois dava para ouvir os gritos de Louis do elevador, que ficava no final do corredor.
— Sabia que ainda é muito cedo? — pergunto, adentrando o pequeno camarim. — E que algumas pessoas sentem dor de cabeça?
Os quatro param de falar assim que me veem. Louis quase me engole com os olhos e solta sua piadinha.
— Não deveria ter bebido tequila. Ela fode com as pessoas.
Eu já havia entregado todos os cafés, só faltava o dele. Paro na sua frente e estico o copo. Antes que ele possa pegá-lo, eu o puxo de volta e falo:
— Não vem com essas gracinhas. Você também bebeu. Vai dizer que não está com dor de cabeça?
— Vai passar assim que me der meu café.
Louis pisca para mim e logo lhe entrego seu copo.
— Como está a Amelia? — Cody questiona.
— Bem até demais. Eu acordei e já estava tudo arrumado.
— Mas ela precisa fazer repouso.
— Eu já disse isso a ela, mas... — ele bufa. — Quem sabe se você disser, ela não escuta? Ouvi por aí que você tem influência sobre ela.
O garoto quase morre engasgado com o café que bebia.
— O que...
— Dakota, qual o cronograma de hoje? — Jason pergunta.
— hmmm... — puxo o celular da bolsa e olho as outras mensagens que havia recebido. — Depois daqui, temos que ir almoçar, pois às três da tarde vocês têm uma sessão de fotos. E a noite...
— A noite? Jura que temos algo a noite?
— Felizmente ou infelizmente, sim. Vocês precisam dar o ar da graça em uma festa.
— De quem?
— Não sei. — solto uma risada. — Aqui só tem um endereço e a hora que começa.
— Você vai? — Louis pergunta.
— Não tem nenhuma indicação aqui. Então não faço ideia.
Ele coloca a mão no queixo e fica me encarando.
Passado uns dez minutos, um homem vem chamar os meninos, para que se preparem para a entrevista. Todos nós vamos para o estúdio e eu fico ao lado deles. Eles sentados e eu em pé, em um canto.
— Podemos perguntar de tudo? — um homem pergunta.
Os meninos olham para mim e eu tento me lembrar do pequeno texto que minha irmã me fez gravar.
— Não. Apenas sobre a pausa, o que fizeram, planos de turnê, CD novo... Nada relacionado ao Zed. Nenhuma pergunta sobre ele. E sobre a vida pessoal, isso já é com eles.
— Podemos?
Depois de todos se programarem e resolverem o que vão perguntar, o programa começa. Os meninos faziam com que tudo ficasse bastante engraçado. Toda hora faziam piada um com o outro, levando uma enxurrada de risadas como resposta.
No primeiro intervalo, meu celular tocou. Assim que eu o peguei e pude ler o nome de Hugo na tela, um dos caras da rádio diz que é proibido celular. Então eu sou obrigada a desligar, sem ao menos dar uma satisfação a ele. Antes que ele possa tocar de novo, eu ativei o modo de vibração. Quando as insistentes chamadas, resultam em minha mão não parar de vibrar um segundo, deixo o celular sem nenhum tipo de som ou vibração, e jogo-o dentro da bolsa.
Ergo a cabeça e noto o olhar de Louis em mim. Ele movimenta os lábios e pergunta se está tudo bem. Eu assinto e ergo meus polegares, seguido de um arrasa.
[...]
Logo depois que a entrevista acabou, todos fomos para uma van, que nos levou até um restaurante bem famoso.
Sentamos todos juntos e fazemos os nossos pedidos. O assunto da mesa, era o quão divertido eles deixaram aquela entrevista.
— Posso confessar uma coisa? — Jason pergunta, e todos assentem. — Eu senti falta disso. De vocês.
— Jason está tão fofinho. — Louis se estica e aperta as bochechas do loiro. — O que foi?
— Nada, ué. Só quis dizer como me sinto.
— É bom estar com vocês de novo. — Leo diz.
— Vocês são sempre esse poço de fofura? — pergunto, fazendo com que eles riam. — Queria fazer uma pergunta a vocês, mas sei que não deve...
— É sobre o Zed? Porque todo mundo quer saber como realmente nos sentimos.
— Eu nunca acompanhei a banda de vocês. Nunca mesmo. Só quando minha irmã falou do trabalho, que entrei na internet para dar uma olhada. E Zed era o meu favorito, mesmo sem ser fã. — Falo. — Quando ele saiu da banda, todo mundo ficou sabendo. Era o assunto do momento. E naquele instante, ele dizia que queria ser apenas um cara normal, o que eu entendi, não querer mais estar no ramo musical. Mas quando ele informou do CD e tudo mais, achei até uma certa traição.
Eles me encaravam, ouvindo atentamente a cada palavra minha.
— Então eu só queria saber, o porquê. Porque ele mentiu. E como vocês se sentiram em relação a isso, claro. Mas se não responderem, eu vou entender. De verdade.
— Para quem nunca acompanhou nossa carreira, você falou bastante. — Cody comenta, rindo de leve. — Sim, todos nos sentimos traídos.
— Zed falou coisas horríveis quando saiu. Disse que nunca quis estar na banda e aquilo nos magoou.
— Nós costumávamos ser melhores amigos. — Louis diz, brincando com o saleiro a sua frente. — Fizemos muita merda juntos. E ele dizer que nunca quis cantar o que cantamos ou viver tudo isso, foi um baque. Nós discutimos pelo telefone. Chamei ele de babaca, mentiroso e falso. Como você falou, eu me senti traído. Ele fez com que tudo o que passamos, fosse falso. E isso era ruim.
— Eu precisei de psicólogo. — Jason diz. — E...
— Era psicóloga e ela era uma gata. — Cody interrompe.
— Qual era o nome dela mesmo? Porra, que saudade de olhar aquela mulher.
— Era Sky. Podem parar de falar dela? Obrigado. — Jason bufa. — Continuando, fiquei muito atormentado e perplexo com tudo. Eu me perguntava, como deixamos chegar a esse ponto. Dele precisar falar aquele tipo de coisa, para se promover.







