5

Cody se senta do outro lado e acarinha o rosto dela.

— Nós daremos um jeito.

Troco um olhar divertido com Louis.

— Alguém precisa fazer o meu trabalho, Cody. — ela diz. — É muita coisa e requer tempo para aprender.

— Não é tão difícil. — digo. — Já vi você fazendo.

Louis e Cody trocam olhares e depois olham para a minha irmã.

— Que foi? — pergunto.

— Pode se vestir? — Louis pede. — Você é gostosa para um caralho e eu ainda te vi nua. Muita emoção para um dia só.

Ele sabia usar as palavras certas para me deixar sem jeito. Eu me levanto sem falar nada e vou para o quarto que divido com Amelia, e visto o primeiro pijama que vejo na minha frente. Quando volto para a sala, os três estão de conchavo.

— Vou fingir que aquela sua gracinha não foi uma forma de me tirar da sala. — digo para Louis.

— Foi sim. E adorei o pijama.

O pijama tinha uma estampa de vaca. Ele estava sendo irônico.

— E por que eu precisei sair? — pergunto. — Além de estar prestes a dar uma ereção para Louis, obvio.

— Já decidimos quem irá ficar no meu lugar.

Olho Louis e Cody e pouso meu olhar em Amelia.

— E?

— Dakota, você será minha substituta. Irá trabalha com The Mines.

[...]

Acordo com um pouco de dor de cabeça, devido as tequilas que não devia ter tomado na última noite. E agora serei obrigada a trabalhar com essa dor insuportável.

Trabalhar...

Com The Mines.

Quando Amelia me falou aquilo, eu ri. Ri muito. Afinal, eu não fazia ideia de que ele escolheria logo a mim, para ficar em seu lugar. Logo depois, quando notei que ela estava falando sério, fiquei repetindo várias e várias vezes que não. Amelia dizia que ia saber me instruir bem e que lá teria pessoas para também fazê-lo. Já Louis, ficou repetindo a cada não que eu dizia: Vamos Dakota, vai ser legal.

Confesso que eu aceitei de verdade, com aquele vai ser legal, de Louis. Quando topei, ele e Cody foram embora e minha irmã falou o básico que eu precisaria saber para hoje.

Hoje os meninos teriam mais uma entrevista, em sei lá qual emissora de rádio. Eu teria que estar ao lado deles e proibir perguntas erradas. Tipo a que eu fiz.

— Dakota? ACORDA! VEM AQUI.

Olho para a cama de Amelia e ela está vazia. Empurro as cobertas rapidamente e corro para fora do quarto, com medo de que ela tivesse caído de novo. Mas ao chegar na cozinha, minha irmã estava sentada à mesa e ela estava posta.

— Que droga, Amelia! — bufo. — Por que me assustou daquele jeito?

— Achei que ainda estivesse dormindo. Se senta aí. Vamos tomar café da manhã.

Arrasto a cadeira, ainda irritada, e me sento.

— Quando eu me comprometo com algo, eu sou responsável. Parece até que não me conhece.

— Você agiu como uma irresponsável por tanto tempo, que eu esqueci desse seu lado. — ela sorri, irônica. — Agora come. Depois vou te ajudar a escolher a roupa certa.

— Você devia estar fazendo repouso. Sabe disso.

— Não consigo ficar parada. — diz. — Lembra do cronograma de hoje?

— Pensei que eles só iriam àquela entrevista na rádio.

— Verdade. — ela balança a cabeça e pega o telefone. — Recebi a mensagem ainda agora. Eles vão ter que tirar umas fotos hoje. O endereço está aqui.

Ela empurra o celular na minha direção.

— Você terá que ficar com ele. É nesse telefone que recebo todas as informações dos meninos. Aonde vão, o que farão. Esse tipo de coisa.

— E sabem da sua situação? — pergunto, lendo a mensagem que havia sido entregue às seis da manhã. Esse pessoal não dorme?

— Eu avisei. Precisei firmar várias vezes que você não era fã dos meninos.

— E se eu fosse?

— Você não poderia trabalhar com eles. Nós estamos sujeitas a ouvir todo tipo de coisa. Novidades de CD, filme, turnê. E uma fã não poderia ter acesso à essas coisas, senão se espalharia.

— Ahhh... Entendi.

Depois que tomamos café e eu tomo pelo menos dois comprimidos para dor de cabeça, vamos para o quarto e Amelia me ajuda a escolher uma roupa.

Quando estou pronta, parece que sou uma versão dois ponto zero da minha irmã mais velha. Eu usava uma calça preta, uma bota da mesma cor e uma blusa cinza, com a manga caída. Sem contar na bolsa exageradamente grande, onde eu carregaria apenas o celular e o carregador.

— Lembre-se, não permita perguntas sobre o Zed. — diz, quando estamos indo para a sala. — Por mais que eles digam que está tudo bem, não está. Os meninos ainda sofrem com a saída dele.

— Então aquelas respostas ontem...

— Eles foram sinceros. Mas dói.

— Tudo bem. — respiro fundo. — Melhor eu ir, não posso chegar atrasada, não é? — ela balança a cabeça negativamente. — Olha, qualquer coisa, me liga.

— Vou ficar bem. — Amelia me abraça. — Obrigada por fazer isso.

— Estou em dívida com você. E não tive outra opção. Tchau.

Dou um breve beijo em seu rosto e saio do apartamento. Quando estou chegando no térreo, o celular de trabalho, vibra e chega uma mensagem informando que o carro já está à minha espera.

— Carro? — murmuro, saindo do prédio. — Aí meu Deus.

Tinha um baita de um carro parado na frente do meu prédio. Se me perguntassem o nome, eu apenas iria dizer o quão grande e preto ele era.

Olho para os dois lados da rua, me perguntando se aquele era realmente o carro que tinha vindo me buscar.

Um cara alto e bem arrumado, sai do carro e vem até a minha direção.

— Senhorita Mitchell?

— Sim... Mas... Eu sou...

— Dakota, não é? — pergunta, tirando os óculos escuros. — Senhor Graham pediu para que viesse buscá-la.

— Louis?

Ele assente e anda até o carro, abrindo a porta para mim.

— Vamos?

Estou começando a gostar desse trabalho.

— Claro.

Após lhe dar um sorriso, entro no carro e nós partimos rumo ao meu destino.

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