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Os meninos gritam e gargalham, enquanto eu os observo completamente atônita.

— Ei, ei, chega. — Amelia diz. — Por mais que eu adore as brincadeiras de vocês, ela ainda é minha irmã.

— Agora que você resolve interceder por mim?

Amelia me lança um olhar desafiador, porém divertido.

Passado um tempinho, a van para na frente de um bar bem famoso em Londres. Lá dentro, a maioria das pessoas convidadas eram famosas. Todo mundo queria comemorar a volta da banda The Mines, aos palcos.

Os meninos se espalham para cumprimentar seus convidados e minha irmã para ao meu lado.

— Louis gostou de você.

— Ele gostou de tirar onda com a minha cara. — digo. — Quero ver o que irei dizer ao Hugo depois.

— Eu quero conversar com você sobre ele.

— Eu já sei o que vai dizer. Então poupe sua voz.

— Não, Dakota. Não vou. — ela me puxa para um canto mais afastado. — Eu não aguento mais mentir para a mamãe. Toda vez que ela pergunta se está tudo bem e se você está me dando trabalho, eu sou obrigada a mentir e dizer que você é uma irmã de ouro.

— O que quer que eu faça? Eu não consigo me decidir em que carreira seguir.

— Obviamente você nunca vai descobrir, se só viver a base daquele garoto.

— Eu não vivo em base do Hugo. Eu vivo para mim.

— Você sabe que não.

Eu estava cansada de ficar ouvindo aquela ladainha. Olho em volta, buscando alguma forma de me livrar dela e de todo aquele papo e então avisto Louis.

Me afasto da minha irmã e ando na direção dele. Louis estava sentado no bar, sentado de lado e com um copo em mãos. Assim que me aproximo, pego o copo de sua mão e engulo o líquido, sem ao menos saber o que é.

— Opaaaa! — ele solta uma risada, quando faço uma careta. Era vodca pura. — Quer ficar bêbada?

— Eu queria enfiar minha irmã em uma caixa e trancar. Ela não para de se meter na minha vida.

— Por que não fala com o Cody? Ele sabe o que fazer.

— Por que Cody saberia? — sento ao seu lado e peço outra vodca ao barman.

— Você não sabe?

— De que? — o encaro.

Louis se vira e aponta em uma direção, em que está Cody. Ele conversava com algumas pessoas, mas sempre olhava para o outro lado do lugar, com um sorriso bobo. E do outro lado do salão, estava minha irmã, com o seu sorriso apaixonado.

— Não... — sussurro e me viro para Louis. — Está querendo dizer que...

— Eles estão juntos. E pelos olhares, não parece ser recente.

Olho na direção deles novamente e balanço minha cabeça negativamente.

— Eu achava que o fato dela se meter no meu namoro, era por ser frustrada nesse quesito. Mas é o Cody... ela está melhor do que eu.

Antes que eu pudesse pegar o copo, Louis o puxa na sua direção.

— Está insinuando que Cody é...

— Melhor que meu namorado, definitivamente. — solto uma risada. — Mas vamos parar por aqui. É muito feio falar mal dele.

— Vamos fazer um joguinho?

— Ihhh...

— Ow amigo, me vê duas tequilas. — ele pede. — É assim, você bebe um copinho com tequila e me conta algum segredo. Nada muito pesado, claro.

Olho-o por breves segundos, até topar a ideia.

— Você começa. — digo, segurando o meu copinho.

— Beleza. Eu... queria mais alguns meses de férias.

Louis vira o copo com tequila, fazendo uma careta fofa.

— Por quê?

— Eu não disse que podíamos comentar sobre as confissões. Sua vez.

Bebo a tequila e aquilo quase volta.

— Não quero seguir a carreira que meus pais querem.

Louis me encara de lado, enquanto o barman enche nossos copos.

— Sinto falta do Lucca, meu filho. — ele coça a nuca. — Ele fez um ano e está longe de mim.

Assim que ele bebe, faço o mesmo e digo:

— Não amo meu namorado. — o barman enche meu copo e eu o viro de novo. — Não sei o porquê.

Estico meu braço sobre o balcão e apoio minha cabeça nele. Fico observando Louis, que bebe sua tequila e faz o mesmo que eu. Ficamos nos encarando, até que ele ergue sua mão e toca minha bochecha.

— Falta sua última confissão. — digo, sem me mexer. 

Estava totalmente entorpecida pelo seu toque e por todas as biritas que havia acabado de tomar.

— Eu quero te beijar.

Ergo minha cabeça e pulo do banco.

— Ér... eu vou embora.

— Eu te levo. — ele desce do banco e eu ergo uma mão. — Que foi?

— Você bebeu e eu vou de táxi. Tchau, Louis.

Após dar um beijo desajeitado em sua bochecha, saio do bar e pego um táxi para casa.

Depois de um banho gelado para ficar um pouco sóbria, enrolo-me na toalha e vou até a cozinha, preparar algo para comer. Como eu não sabia cozinhar, a única coisa que eu sabia fazer mais ou menos, era pipoca de microondas. As vezes queimava.

Sem me preocupar em colocar uma roupa, me sento no sofá e vejo um filme, até cair no sono.

[...]

Desperto do meu sono, assim que escuto o barulho da porta sendo aberta.

— Calma, não coloca o pé no chão. — era a voz de Cody.

Quando meus olhos se abrem totalmente, Louis, Amelia e Cody estão me encarando. Ela estava sendo segurada pelos dois e tinha a perna direta engessada.

— O que acontec...

Eu me levantei tão rápido do sofá, que sequer me lembrei de estar de toalha. Isso só me ocorreu, quando ela se soltou do meu corpo e me deixou nua na frente dos três.

— Dakota!

Cody olha para baixo instantaneamente, já Louis, não faz o mínimo esforço para parar de me olhar. Abaixo-me rapidamente e pego a toalha, cobrindo meu corpo desajeitadamente.

— O que aconteceu com você? — pergunto e me afasto do sofá.

Louis — que tinha um sorrisinho irônico no rosto — ajuda Cody a colocar ela sentada no sofá e apoia a perna com gesso, na mesinha.

— Ela bebeu um pouquinho... — Cody começa, mas Amelia o interrompe.

— Cala a boca, Walsh. E Dakota, vai vestir uma roupa.

— Mas...

— Ela estava dançando em uma mesa e caiu. — Louis diz rapidamente.

— Louis!

— Foi apenas uma torção. Mas ela vai ter que ficar com isso aí por um mês.

Sento-me do lado da minha irmã e pego sua mão.

— Logo agora. — ela murmura. — Vocês acabaram de voltar da pausa, vão começar uma curta turnê de retorno e eu caio.

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