A mansão nunca havia sido tão silenciosa.
Não o silêncio confortável das noites tranquilas ou das manhãs preguiçosas, mas aquele silêncio tenso, calculado, que parecia conter respirações suspensas e pensamentos escondidos. Elena sentia isso na pele. Não importava onde estivesse — corredor, sala, jardim interno — havia sempre a sensação incômoda de que algo estava prestes a acontecer.
E que quando acontecesse, não haveria aviso.
Ela caminhava com Liam pelo corredor lateral, seguindo exatamente o percurso combinado com Anthony. Nem rápido demais, nem lento demais. Naturalidade ensaiada. O menino segurava um carrinho pequeno, empurrando-o com concentração absoluta, alheio ao peso que pairava sobre cada metro daquela casa.
— Ca…rro — ele disse, orgulhoso.
— Isso mesmo — Elena respondeu, sorrindo de verdade pela primeira vez naquele dia. — Seu carro azul.
O sorriso durou pouco.
Ao dobrar o corredor, Elena viu Isabella parada próxima à escada principal. Não parecia surpresa ao vê-los