A noite anterior havia deixado rastros invisíveis espalhados pela mansão Valenti. Era como se as paredes tivessem absorvido o conflito, devolvendo-o em forma de silêncio pesado no dia seguinte. Elena acordou com a sensação de que algo estava prestes a acontecer — alguma mudança silenciosa, mas inevitável.
O sol mal tinha surgido quando ela desceu para a cozinha. As luzes fortes a fizeram apertar os olhos por um instante. Duas cozinheiras falavam baixo, interrompendo a conversa assim que a viram entrar. Aquilo nunca tinha acontecido antes. A sensação de estar sendo observada começou a crescer como um nó desconfortável no centro do peito.
— Café? — perguntou uma delas, tentando disfarçar o olhar rápido que lançou para a outra.
— Obrigada. — Elena respondeu, fingindo normalidade, mas seus sentidos estavam em alerta total.
Enquanto mexia o café, a lembrança do bilhete deixado por Anthony na tarde anterior voltou com força. “Precisamos conversar. Sozinho. Antes que alguém seja prejudicado.