O perigo do segredo não está apenas em ser descoberto. Está em se tornar necessário demais. Em deixar de ser exceção para virar hábito. Dante e eu atravessamos esse limiar sem perceber exatamente quando aconteceu. Não houve um acordo formal, nem uma conversa longa definindo regras claras. Houve repetição. E, quando algo se repete com prazer, cria raízes.
As noites passaram a ter um ritmo próprio. Lorenzo dormia cedo, a casa se aquietava, e o silêncio deixava de ser apenas ausência de som para se tornar convite. Às vezes era o quarto dele. Outras vezes o meu. Às vezes um encontro rápido que se estendia mais do que deveria. O corpo parecia reconhecer aquele horário como um chamado inevitável.
Não era só sexo. Era a forma como Dante me procurava com o olhar durante o dia, como se já estivesse antecipando a noite. Era o modo como eu sentia o corpo reagir ao simples som dos passos dele no corredor. Não havia mais a excitação do proibido puro; havia algo mais denso, mais envolvente. Uma nec