Nada na casa parecia diferente à primeira vista. Os corredores eram os mesmos, as rotinas seguiam quase intactas, os funcionários cumpriam suas tarefas com a mesma eficiência discreta. Ainda assim, para nós dois, tudo havia mudado. Cada espaço agora carregava a memória de algo proibido, cada porta escondia a possibilidade de um encontro rápido demais, cada silêncio tinha um significado que só Dante e eu conhecíamos.
Lorenzo estava mais tranquilo nos últimos dias. Talvez fosse o efeito da reunião na escola, talvez fosse simplesmente o conforto de sentir os adultos ao redor mais seguros de si. Ele passava as tardes desenhando ou montando suas pistas de carrinho, completamente alheio ao jogo silencioso que acontecia acima de sua cabeça. E, de certa forma, era isso que tornava tudo ainda mais intenso: precisávamos ser cuidadosos não por medo, mas por respeito.
Dante e eu nos encontrávamos nos pequenos espaços entre as tarefas. Um olhar sustentado na cozinha, um toque rápido ao entregar