Dois meses foram suficientes.
Não porque curassem algo, mas porque empurraram Ana para longe do que não funcionava mais. O tempo, quando passa sem ser notado, costuma fazer isso: não resolve, desloca.
Sacramento começou a desaparecer antes mesmo de ela fazer as malas. A cidade perdeu densidade. As ruas ficaram planas, como cenários repetidos. A casa, agora silenciosa demais, não guardava mais abrigo, apenas eco. A mãe não estava ali. A amizade não estava ali. O amor, se algum dia esteve, tinha sido retirado com violência e deixara um vazio irregular, difícil de contornar.
Tomás insistia.
Não diretamente. Nunca de um jeito claro. Surgia como um ruído persistente, fora de tom. Números diferentes. Chamadas que não deixavam recado. Mensagens que nunca perguntavam o que ela queria, apenas onde ela estava.
Ana demorou a atender. Quando o fez, foi por distração, não por vontade.
— Ana — disse a voz, cautelosa, como se pisasse em algo quebrado.
Ela reconheceu de imediato. Não se