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6. Nos Braços Dele Outra Vez

Por um segundo, nenhum de nós se move.

As mãos dele continuam firmes na minha cintura, quentes demais através do tecido fino da camiseta.

Meu coração b**e tão forte que tenho quase certeza de que ele consegue ouvir.

Os olhos verdes descem do meu rosto até onde suas mãos me seguram, depois voltam para mim com uma intensidade que faz minhas pernas quase cederem.

— Srta. Collins — ele diz, a voz rouca. — Imagino que tenha lido as regras, certo?

Engulo em seco, tentando ignorar o calor subindo pelo meu pescoço.

— Eu… li — murmuro, odiando o quanto minha voz sai mais fraca do que eu gostaria. — Só vim pegar um copo de leite.

— Leite — ele repete devagar, e os dedos apertam levemente minha cintura. — No meio da madrugada. Vestindo… isso.

O olhar dele desce com calma pela minha camiseta, para no shortinho que mal cobre metade das minhas coxas e sobe de novo.

Meu corpo inteiro esquenta sob o exame silencioso.

E piora quando meus olhos, completamente traidores, percorrem o corpo dele. O cabelo bagunçado, o abdômen definido, a calça de moletom preta marcando um “V” que deveria ser proibido por lei…

— Eu não sabia que você estaria aqui — respondo, mas soa fraco demais para ser convincente.

— Assim como não sabia quem eu era naquela boate? — Ele dá um passo à frente, me prensando contra a geladeira.

— Eu não sabia quem você era — respondo rápido demais. — Ou não teria…

— Aceitado meu drink? — ele interrompe, arqueando uma sobrancelha. — Me deixado te beijar até acabar sentada no meu colo, implorando por…

— Eu não implorei por nada — rebato, quase num sussurro.

— Talvez não — ele diz, sem desviar o olhar. — Mas teria implorado se não tivesse fugido.

Meu corpo inteiro reage às palavras. Porque ele está certo.

Talvez eu tivesse implorado. Talvez tivesse esquecido completamente da razão e, pela primeira vez, me deixado levar pelo que o meu corpo queria.

E agora… estou aqui. Nos braços dele outra vez.

Os dedos dele deslizam até o meu queixo, inclinando meu rosto para cima, me obrigando a encará-lo.

— Eu devia ter te mantido longe de mim — ele continua, roçando o nariz na minha bochecha com uma lentidão cruel, fazendo meus olhos se fecharem. — Devia ter te esquecido no segundo em que você saiu correndo daquela boate.

— E por que não esqueceu? — pergunto, abrindo os olhos para encará-lo.

— Porque você invadiu a porra da minha empresa — responde, rouco. — Entrou na minha sala. Conquistou meu filho. E agora está aqui, na minha casa, vestindo isso, me provocando.

— Não estou te provocando…

— Não está? — murmura, enquanto a mão desliza da minha cintura até minha bunda, me puxando para mais perto. — Então, o que é isso, Ivy? Por que continua nos meus braços, praticamente implorando para que eu te toque de novo?

Minha voz desaparece.

E quando ele se inclina, quando seus lábios roçam nos meus em um toque lento, carregado de pecado…

Eu me perco.

Fecho os olhos, pronta para cometer o erro mais delicioso da minha vida.

Mas então…

O celular vibra sobre o balcão, cortando o momento como um balde de água fria.

Desviamos o olhar ao mesmo tempo. E é aí que vejo a foto de uma mulher loira acima da notificação.

Lucas se afasta de repente, soltando minha cintura como se eu queimasse. Depois, dá dois passos para trás, passa a mão pelos cabelos com força.

— Porra — murmura, mais para si mesmo do que para mim. — Isso não pode acontecer nunca mais, ouviu?

Pisco, tentando processar o que acabou de… ou melhor, o que quase aconteceu.

— O que voc…

— Aquela noite foi um erro — ele corta, apontando entre nós dois. — E isso aqui não pode se repetir.

— Sei disso — murmuro, me esforçando para manter a voz firme, apesar das pernas trêmulas. — Foi só um beijo. Nada demais. Já até me esqueci.

Desvio o olhar para que ele não perceba minha mentira descarada.

Porque é claro que eu não esqueci.

Aquele beijo ainda está vivo demais na minha memória… mas ele não precisa saber disso.

Lucas solta uma risada curta, sem humor.

— Ótimo — ele diz, enfim, pegando o celular no balcão. — Então estamos entendidos. Você é minha funcionária. Eu sou seu chefe. E o que aconteceu naquela boate… nunca existiu.

— Exatamente — concordo, pegando o leite esquecido no balcão.

Fico em silêncio, com os pés plantados no chão. Eu deveria pegar o copo e sair. Correr para o quarto antes que eu faça mais alguma besteira.

Mas não consigo.

— Porra… — ele murmura, passando a mão pelo cabelo enquanto lê algo no celular. — Mais isso agora.

— Algum problema? — pergunto sem pensar, enquanto despejo o leite no copo.

Ele levanta o olhar, como se despertasse de um transe irritado.

— Nada que te diga respeito, Srta. Collins — responde, retomando a frieza habitual. — Volte para o seu quarto. E, da próxima vez, tente respeitar as regras.

Uau. O rei da simpatia.

Assinto, pego o copo e tento manter o resto da dignidade intacta.

— Boa noite, Sr. Sinclair.

Lucas não responde, só continua digitando, com o maxilar tenso e os olhos grudados na tela que ilumina seu rosto fechado.

Viro as costas e saio da cozinha o mais rápido possível sem parecer que estou fugindo novamente… embora esteja. Totalmente.

Quando chego ao corredor, encosto as costas na parede fria e fecho os olhos, tentando fazer o coração desacelerar.

— Meu Deus… — sussurro, levando a mão ao peito enquanto minhas pernas ainda tremem. — Eu… quase beijei ele. De novo.

Meu drama silencioso é interrompido pela voz dele, baixa e irritada, vinda da cozinha.

— Sim, Blair, estou sozinho — diz, num tom que eu nunca ouvi antes. Cansado. — Você disse que ficaria mais uma semana. Por que decidiu voltar amanhã?

Franzo as sobrancelhas, esquecendo completamente o quase beijo de segundos atrás.

Blair? Quem é Blair?

É a loira da foto?

E, mais importante… ela volta amanhã.

Pra onde exatamente?

Pra cá?

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