VALENTINA (MIRTES)
A quietude no andar superior da mansão era cortante. Meu quarto ficava a poucos metros do corredor principal, estrategicamente posicionado entre o quarto das crianças e a suíte master de Heitor e Beatriz. Da minha janela, eu conseguia ouvir o farfalhar das árvores sob o vento da madrugada, mas nada era mais alto que o barulho dos meus próprios pensamentos.
Heitor acabara de sair. A porta ainda parecia vibrar com a força da sua partida. O ar no quarto estava denso, impregnado