Abel Arruda
Tive uma noite difícil. Fui atormentado pela imagem daquele garotinho sentado numa praça.
O rosto estava lambuzado de sorvete, mas o olhar era altivo. Como o meu.
Era um olhar que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo.
O rosto era delicado e lindo como o da mãe, mas a alma ali impressa era Arruda.
Eu não tinha a menor dúvida: aquele menino era nosso filho.
A questão que me corroía era: onde ele está? E por que ela me escondeu isso?
Por que me negou o direito de ser pai