Giulia Moretti
O quarto da minha mãe cheira a remédio e lavanda.
É estranho como esse cheiro me acalma e me sufoca ao mesmo tempo. Vida e fragilidade misturadas. Sobrevivência artificial. Igual a mim agora.
Sento ao lado da cama e seguro a mão dela com cuidado. A pele está fina. Quente demais. Real. Ela dorme. Viva. Aqui. Sob o mesmo teto que me aprisiona.
As máquinas piscam em um ritmo constante. Bip. Bip. Bip. Como se lembrassem que ainda existe ordem no caos. Algo previsível. Algo que eu não