O dia em que perdi a mão

O silêncio de Daniel fez minha boca amargar. Eu busquei a verdade, mas não queria a confirmação. A decepção tomou o meu peito por alguns instantes e uma lágrima se formou antes que eu pudesse controlar a respiração. A voz dele soou carregada de preocupação, não havia defesa nem ira, apenas um cuidado que me desarmou mais do que qualquer grito.

— Serena, sente-se. O que está acontecendo é normal, você bateu a cabeça, Clara fala muito da mãe, mas preciso que me ouça. Luciana está morta.

— Não está. Eu falei com ela.

Daniel se virou para o armário de bebidas, abriu a porta de vidro e retirou de lá uma garrafa quase vazia. As mãos estavam firmes, mas o olhar parecia mais cansado, como se carregasse um peso antigo demais para ser dividido. O que veio

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