— Tem dois dias para sair da minha casa!A porta ainda estava entreaberta quando o senhorio falou as palavras que cortaram minha vida ao meio. Não houve discussão, súplica ou chance de defesa. Apenas um decreto duro, definitivo e selado com a frieza de quem nunca se importou com nada além do dinheiro. Eu estava chorando, mas ele nem sequer hesitou. O aluguel estava atrasado havia seis meses e, embora nada daquilo fosse realmente minha culpa, o mundo não costuma ter misericórdia de quem não pode pagar. Uma verdade dura que poucas pessoas gostam de ouvir.Quando o senhorio virou as costas, levou embaixo do braço minha televisão. A única coisa que eu ainda possuía.Nos últimos meses, meus pertences foram desaparecendo um a um, cada atraso convertido em resgate. Agora, tudo o que restava naquele apartamento onde vivi desde os dezoito anos era uma cama velha e o celular que eu apertava contra o peito como se pudesse me salvar de alguma coisa.Tentei chamá-lo de volta, protestar, dizer qualq
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