Meu coração errou as batidas, o suor frio nasceu em meu rosto antes que eu pudesse digerir aquelas palavras.
Eu estava em um depósito abafado e à minha frente uma mulher que se autodeclarava a esposa morta do meu atual patrão.
Tudo ao meu redor escureceu e por um segundo eu acreditei que fosse desmaiar, mas não tive tempo, a porta se abriu atrás de mim e o desespero de Claudete me puxou de volta à realidade.
— CLARA CAIU DA ESCADA! CHAMA UM MÉDICO.
Saí correndo. Mesmo que a descoberta tivesse me abalado, imaginar que Clara estivesse ferida me dilacerou. Ela não era apenas a minha responsabilidade, era também uma menininha linda que eu já amava. Passei pelas caixas com uma agilidade que nem eu mesma reconhecia, parei ofegante no topo da primeira escadaria e o silêncio me atingiu em cheio.
Não havia ninguém.
Atravessei o corredor da ala dos funcionários e, ao me aproximar da escadaria seguinte, algo aconteceu. Meu pé prendeu em alguma coisa e o equilíbrio me traiu, a dor veio antes da c