Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 5: A Marca da Posse
O motor do carro de luxo de Alessandro rugia pelas ruas estreitas do bairro humilde, um som que parecia deslocado naquela realidade de asfalto rachado e casas geminadas. Ele estava possesso. A fúria fria que sentira no hospital havia se transformado em uma ansiedade cortante. Ao chegar na pensão onde Pérola vivia, ele sequer esperou o motorista abrir a porta. Entrou no lugar como um furacão, mas a notícia que recebeu foi como um soco no estômago: Pérola havia sido despejada. Por um segundo, a imagem dela dormindo ao relento, machucada e de muletas, fez o peito de Alessandro arder. Ele já estava voltando para o carro, pronto para colocar toda a sua equipe de segurança para revirar a cidade, quando a dona da pensão gritou: - Senhor! Senhor! Ela tem um amigo, o Junior. Pode ser que ela esteja lá! - A mulher entregou um papel amassado com um endereço. Alessandro arrancou com o carro, os pneus cantando no asfalto. Quando ele dobrou a última esquina, avistou a casa simples, de portão baixo. E lá estava ela. Pérola estava sentada em um banco de madeira, o semblante pálido e cansado. Mas ela não estava sozinha. Um rapaz jovem, de aparência forte e um sorriso acolhedor, aproximava-se dela. Era Junior. Alessandro viu, através do para-brisa, o momento em que Junior envolveu Pérola em um abraço protetor para ajudá-la a se levantar. O rapaz apoiou o braço dela em seus ombros, trazendo-a para perto de si, quase fundindo seus corpos para dar suporte à perna machucada dela. Uma onda de ciúme, tão violenta que chegou a ser física, atingiu o estômago de Alessandro. Ver as mãos daquele estranho na "sua" Pérola foi como ver alguém profanando um altar. - PÉROLA! - A voz dele cortou o ar como um chicote. Ele saiu do carro com a elegância de um predador e caminhou em direção aos dois. O olhar dele estava fixo em Junior, um olhar matador que faria qualquer homem recuar. - O que você pensa que está fazendo aqui? - ele perguntou, parando diante dela, ignorando completamente a presença de Junior, embora sua vontade fosse de socá-lo. - Sr. Alessandro... eu... eu não podia ficar no hospital. Eu não tenho como pagar e não queria dar mais prejuízo... - Pérola tentou explicar, a voz trêmula. - E por isso você foge? Sem nem tentar falar comigo? - ele a cortou, a voz gélida. - Eu achei que o senhor não me quereria mais lá, já que estou assim... - ela apontou para a perna. - Você não entende nada - Alessandro disse, aproximando-se mais, invadindo o espaço pessoal de Junior. - Meus filhos não param de chamar por você. Principalmente a Maya. Ela não dormiu, não comeu e chora pedindo pela "princesa dela". Você conquistou o coração deles em horas, e agora quer abandoná-los? Vai deixá-los sofrer por sua causa? Pérola sentiu uma pontada de culpa. - Não... eu jamais faria isso com as crianças, eu só... - Onde estão suas muletas? - ele a cortou novamente, sem paciência. Antes que ela respondesse, ele agiu. Com uma força bruta, ele a puxou dos braços de Junior. Junior percebeu o clima e, embora incomodado com a arrogância do bilionário, recuou um passo. - Vou deixar vocês conversarem - disse o rapaz, olhando para Pérola com carinho. - Se precisar de qualquer coisa, minha casa é sua, Pérola. Ao ouvir "minha casa é sua", Alessandro apertou a cintura de Pérola com tanta força que um gemido baixo de dor escapou dos lábios dela. Ele estava cego pela possessão. Na mente dele, aquele toque era um desafio. Pérola achou que ele estava bravo por sua fuga e baixou a cabeça, aceitando a dor como um castigo merecido. Alessandro percebeu o gemido e relaxou o aperto, mas seu olhar continuava sombrio. - Você é a minha Pérola - ele sussurrou, apenas para ela ouvir. - Não ouse fugir de mim de novo. Ele a pegou no colo de forma possessiva e a levou para o carro. Ao acomodá-la no banco de couro, ele se inclinou para prender o cinto de segurança. O rosto dele ficou a milímetros do dela. O cheiro de whisky e poder a envolveu. - Não fuja de mim outra vez, ou eu juro que não te perdoaria - ele sussurrou no ouvido dela, a voz carregada de uma promessa perigosa. Pérola estremeceu, pensando que ele a demitiria se ela fugisse. Ela não via a obsessão; via apenas um patrão muito rigoroso e talvez um pouco temperamental. Alessandro fechou a porta do carro e voltou até Junior. Ele tirou a carteira do bolso do terno e assinou um cheque com um valor exorbitante. - Tome. Pelo seu tempo e por ter cuidado do que é meu - disse ele, estendendo o papel com desdém. Junior olhou para o cheque e depois para Alessandro. - Eu não aceito dinheiro para cuidar de quem eu gosto, senhor. Eu sempre cuidarei da Pérola, não importa o que aconteça. O mundo pareceu parar. Alessandro percebeu no mesmo instante: Junior não a via apenas como amiga. Ele a desejava. O ciúme de Alessandro atingiu o ápice. Ele fuzilou o rapaz com um olhar de puro ódio e virou as costas sem dizer uma palavra. Junior, ignorando o bilionário, foi até a janela do carro e passou a mão suavemente no rosto de Pérola. - Você será sempre bem-vinda na minha casa, pequena. Se cuida. Sem se despedir, Alessandro arrancou com o carro, deixando Junior para trás em uma nuvem de poeira. Dentro do veículo, o silêncio era aterrador. Ele segurava o volante com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos. Ele agora tinha uma nova determinação: ele não apenas queria que Pérola cuidasse dos seus filhos. Ele a queria presa a ele, de corpo e alma, para que nenhum outro homem - especialmente aquele Junior - pudesse sequer respirar o mesmo ar que ela. Pérola olhava pela janela, confusa, sem saber que naquele momento, ela deixava de ser apenas uma babá para se tornar a presa definitiva no labirinto de obsessão de Alessandro Thorne.






