NARRADORA
O silêncio do escritório foi interrompido pelo som de passos pesados no corredor. Helena reconhecia aquele ritmo; não era a marcha autoritária de Rafael, era o caminhar predatório de quem não pedia licença para entrar.
A porta se abriu com um estrondo controlado. Arthur estava ali, a respiração pesada, os olhos queimando em uma mistura de mágoa e fúria que Helena não via há meses.
— Três meses, Helena — ele começou, a voz rouca, chutando a porta para fechá-la atrás de si. — Três m