Primeiros passos de um tango

Primeiros passos de um tangoPT

Lucia Maria Chataignier de Arruda  En proceso
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Resumen
Índice

Primeiros Passos De Um Tango é uma divagação feminina, dentro de fragmentos de sessões de psicanálise, em que uma mulher se permite fantasiar sobre cenas e encontros com parceiros masculinos, saindo do esquema do mesmismo, da previsibilidade e da insatisfação na sua vida com seu marido. Isabel, a protagonista, é escritora e jornalista. Casada com Márcio, empresário de propaganda e marketing, ela se dá conta que o relacionamento de ambos está se deteriorando e tenta exercer o poder da sedução como uma alternativa para salvá-lo. Essa sedução inicia-se com o relato de supostos acontecimentos ocorridos em suas viagens pelo mundo. A possibilidade de esses fatos terem realmente ocorrido injeta um misto de curiosidade e motivação em Márcio. O que não estava previsto, no entanto, é que, ao se permitir fantasiar, Isabel acabaria envolvendo-se com casos reais, os quais a fizeram se sentir dividida entre o amor em relação ao marido e o desejo de dar continuidade às aventuras, até então, jamais realizadas. À medida que penetra no cerne de seus desejos inconscientes e esclarece questões traumáticas de sua vida, ela fica mais ousada, mais selvagem e mais detalhista nos rituais do amor e do sexo. E é isso que ela chama de “primeiros passos de um tango”, pois, como na dança, os casais ficam em posições opostas, executam passos assimétricos, mas, no fundo, dançam ao sabor de um mesmo ritmo, o tango, metáfora da liberação da fantasia feminina e do desprendimento sexual a partir da certeza de que é a mulher quem detém o poder de comando na relação.

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Primeira sessão após duas entrevistas
Pode te parecer estranho, mas dê uma olhada nestas fotos e leia o que escrevi. Faz parte de uma coluna que escrevo sobre o Rio de Janeiro. Eu já fazia esta coluna antes, mas precisei interromper quando me envolvi com a minha editora e passei um tempo fora do país. Mas agora estou retomando. 

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Segunda sessão
Voltei a desmaiar. Não sei se já te falei sobre isso... não?  Então falo agora:  algumas vezes, experimento uma intensa angústia, fico tonta e perco os sentidos temporariamente. Já me aconteceu algumas vezes.  Uma delas foi ontem...  Nós fomos ao lançamento da nova campanha da AG&S. Márcio trabalha em propaganda.  Não sei se já te disse isso.  Eu vi quando ele e a tal de Clara ficaram de mãos dadas no meio do grupinho do trabalho dele.

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Terceira sessão
Volto à questão: o que quer uma mulher?  Eu hoje pensei muito sobre isso e, pelo menos pra hoje, tenho uma resposta.  Eu falo “pra hoje” porque a mulher pensa por ciclos: o ciclo pré-menstrual, o círculo da fertilidade, o da amamentação, o da menopausa...  Mesmo as meninas têm seus ciclos.Qual o meu ciclo de hoje?  Não sei.  Não quero nomear.  Sempre sou contra n
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Quarta sessão
Eu conheci um homem. Ele derrubou minha segurança. Desafiou minha estrutura. Céus! Fico perplexa quando penso no que estou sentindo!Sim, quero falar sobre isso.Eu estava procurando lojas de antiguidades no centro da cidade.Leer más
Quinta sessão
Desculpe o atraso.Vou retomar do ponto em que parei. Bem, fui atrás do tal endereço, mas, chegando lá, não havia mais a loja de antiguidades. A minha esperança era tão grande de encontrar o que eu procurava, que fiquei na frente do lugar, desconcertada, sem reação. Custava a acreditar que ali não existia nenhuma loja do tipo.  Eu estava frente a frente a um lugar chamado “Bafão”, um tipo d
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Sexta sessão
O Rio antigo tem uma arquitetura instigante.  Há uma série de ruelas, sobrados, portinholas, janelas e varandas estreitas, escadinhas escusas.  Tudo exala um ar de confidências, de intrigas.  Acho que por isso aquelas fotos me chamaram a atenção.  O alargamento da rua Carioca, por exemplo, talvez tenha a ver com a ampliação desses meus espaços internos que se referem  a um passado convencional, estreito, para uma possibilidade maior...  Como se eu admitisse correr riscos, trilhar novas vertentes... De qualquer maneira, independente da evolução do que se seguiu, eu resolvi testar o Márcio.  Não test
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Sétima sessão
Acho que o Márcio percebeu, mas não sucumbiu.  Pagou para ver, eu diria. E, isso eu posso te dizer com o orgulho de uma iniciada, meu caro: foi uma trepada e tanto! Falei do vizir com intimidade, detalhei seus olhos cor-de-mel sobressaindo na pele morena.  Descrevi suas roupas cheias de envolturas, a ânsia que eu tinha em desnudar aqueles panos cor de areia, alternados em padrões, da aspereza do linho ao deslizante da seda. Falei de como ele não sorria e de como ele conteve minha voluptuosidade segurando, com sua mão firme, os meus pulsos inquietos. Sussurrei o medo experimentado nessa hora, acreditando que ele me faria sucumbir e me puniria pelos meus atos antecipados, vis
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Oitava sessão
 O princípio ativo da sexualidade masculina é detonado a partir de um sentimento de ameaça à sua supremacia. Mesmo que ele não esteja mais interessado numa mulher, o fato de perceber que outro homem é atraído por ela o remete a uma insegurança, como se ele não tivesse tentado todos os recursos ou descoberto todas as facetas da tal mulher.

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Nona sessão – duas semanas depois
Intrigante. Verdadeiramente intrigante.  Fui pesquisar sobre o teatro Kobuki.O sentido etimológico da palavra "Kabuki" é "oblíquo".  Vamos só trabalhar esse detalhe pra começar.  Lembra do que eu falava: “olhar de viés”?  Trata-se de um ponto de vista atravessado, dissimulado, não direto.  Exatamente o que eu sinto em relação ao meu processo da dianóia. &
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Décima sessão
Um dia, eu disse uma frase que nunca esqueci.  Nada de grande importância, mas, como eu a pronunciei alto e em bom tom, como uma reflexão para mim mesma, ela ganhou uma dimensão e um eco que, durante algum tempo, ficou repetindo-se como se estivesse à procura de um significado. Quem sou eu para dizer que nada é por acaso... Era como se eu fosse portadora de um significante expresso em palavras, mas cujo sentido permanecia incógnito, indecifrável, aguardasse uma autorização de pouso...Leer más