MirellaLavanda selvagem.Chuva fria.Mel amargo.As palavras de Kaian ficaram presas no quarto como perfume derramado em tecido branco. O cheiro de Selene, dito pela boca dele, pareceu invadir meus móveis, minhas paredes, minha pele. Como se minha irmã tivesse conseguido entrar ali sem corpo, sem passos, sem permissão.Eu odiei.Odiei porque era verdade.A lembrança me veio cruel: Darius no salão, imóvel, mas não indiferente. Darius nos próprios aposentos, recusando meu beijo, o corpo tenso como se estivesse traindo alguém ao permitir minha aproximação. Darius com aquele maldito lenço cinza nas mãos, os olhos quase ferozes, respirando como se um pedaço de Selene pudesse encher o buraco que ele mesmo abriu.Kaian aproximou-se.— Ele sente esse cheiro até agora.— Mentira.— Você gostaria que fosse.— Eu disse que é mentira.— O lobo dele reconhece Selene. O homem escolheu você, mas o lobo… — Kaian fez uma pausa, cruel o bastante para me obrigar a esperar. — O lobo está esfregando o fo
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