NaraA sala de guarda tinha o charme de uma cela com autoestima.Pedra fria. Uma mesa torta. Duas cadeiras duras. Um armário de armas fechado com três trancas e cheiro de óleo velho. A única janela era alta demais para alcançar sem quebrar uma perna, e a porta, infelizmente, continuava sólida depois de vinte minutos de socos, chutes e insultos criativos.Nara sabia porque testara todos.Duas vezes.Na terceira, o punho dela doeu mais do que a porta, e isso a ofendeu pessoalmente.— Covarde de fechadura — rosnou, chutando a madeira. — Se tivesse honra, abriria.Do outro lado, ninguém respondeu.Ótimo.Além de presa, estava sendo ignorada.Ela odiava ser ignorada quase tanto quanto odiava ordens. E naquela manhã a alcateia inteira parecia ter conspirado para lhe oferecer os dois.Nara se afastou da porta e começou a andar de um lado para o outro, os cabelos ruivos caindo sobre o rosto, a respiração ainda quente de raiva. Cada passo levantava poeira do chão. Cada batida do coração trazi
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