— Fui eu quem entregou Dário a Artur.As palavras atravessaram o quarto como um trovão.Celina levou a mão à boca.— Amélia…A mulher sorriu, mas havia tristeza em seu rosto.— Sim, irmã. Amélia.Artur empalideceu.— Você deveria estar morta.— Eu estive morta para o mundo. Foi isso que você quis.— Eu procurei você durante anos.— Mentira.Amélia levantou-se devagar. O vestido estava coberto de fuligem, e uma cicatriz atravessava seu rosto desde a têmpora até o queixo.— Naquela noite, você incendiou a casa velha e disse a todos que eu havia morrido. Mas eu sobrevivi. Fiquei presa no porão, ferida, ouvindo você ordenar que levassem Dário.Eduardo apertou a menina contra o peito.— E você o entregou a ele.Amélia baixou os olhos.— Dário me pediu que fizesse isso.Celina avançou.— Por quê?— Porque Artur havia descoberto onde você estava escondida. Ele ameaçou matar você, Beatriz e as crianças. Dário acreditou que, entregando-se, conseguiria negociar a vida de todos.— Ele acreditou
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