Olívia soube que Henrique não chegaria quando o quarteto começou a repetir a mesma música. Quase quarenta minutos haviam se passado desde que os convidados ocuparam o salão principal do Hotel Imperial. As flores continuavam impecáveis, as taças aguardavam sobre bandejas de prata e os fotógrafos, antes discretos, já apontavam as câmeras para qualquer movimento próximo ao altar. A cada olhar lançado para as portas fechadas, o atraso ganhava um significado mais difícil de ignorar.Henrique não era impulsivo. Não se atrasava, não desligava o celular e jamais permitia que uma situação fugisse de seu controle. Olívia aceitara se casar com ele justamente por isso. Não existia paixão capaz de tirar-lhe o sono, mas havia respeito, previsibilidade e a promessa de uma vida sem os jogos que sempre haviam marcado sua família. As seis mensagens enviadas naquela tarde permaneciam sem resposta.— Deve ter acontecido alguma coisa no trânsito — disse Vera, aproximando-se para ajeitar uma mecha do pente
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