A primeira semana na Nexus parecia ter durado um mês inteiro. Trabalhar para Andréas Albuquerque ia muito além de responder e-mails, organizar reuniões e controlar agendas. Ele chegava pontualmente às sete da manhã. Às sete e um, qualquer atraso recebia uma advertência discreta, mas cortante. Andréas não precisava levantar a voz. Sua presença bastava. Não elogiava facilmente, mas quando seus olhos castanhos se fixavam em alguém, era impossível não sentir o peso — e, de forma perturbadora, o fascínio — daquela atenção.Tudo precisava ser perfeito: reuniões no segundo exato, documentos organizados na ordem precisa, o café na temperatura ideal. Até o silêncio da sala seguia regras invisíveis. Naquela primeira semana, eu mal sentei. A cada cinco minutos, Andréas encontrava uma nova tarefa. — Ana, arquive esses contratos. Cinco minutos depois: — Atualize minha agenda. Mais três: — Ligue para a filial de Londres. Logo em seguida: — Cadê o relatório financeiro? — Na sua mesa, senhor.
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