A carta de Augusto permaneceu na primeira gaveta da cômoda do quarto do bebê. Todas as noites, antes de dormir, Gustavo entrava ali por alguns minutos. Observava o berço, a fotografia do primeiro ultrassom, o pequeno body branco e a carta. Aos poucos, a dor dava lugar à saudade e a saudade já não machucava tanto. Na manhã de domingo, enquanto tomavam café na varanda, o celular de Gustavo tocou. O nome na tela fez seu sorriso desaparecer, Beatriz Albuquerque. Ele atendeu imediatamente. — Beatriz? Do outro lado da linha, a voz da advogada soava séria. — Gustavo, preciso falar com você. — Aconteceu alguma coisa? — Encontrei um documento que estava escondido entre os arquivos pessoais do seu pai. — Mais um documento? — perguntou, trocando um olhar com Maytê. — Acho que é o último. Duas horas depois, Gustavo e Maytê chegaram ao antigo escritório de Beatriz. Henrique já os esperava. Sobre a mesa havia um envelope amarelado, lacrado com o selo do cartório. — Depois que toda a
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