CAPÍTULO 1 pov: Elara Algumas pessoas aprendem, desde muito cedo, que o mundo raramente pede permissão antes de lhes retirar algo. Elara Noctravayne, aos dezoito anos, fazia parte desse grupo. Já não recordava com nitidez o rosto dos pais. Conservava apenas fragmentos dispersos da infância: uma voz distante chamando seu nome, uma mão que a conduzia durante uma caminhada e o perfume suave que sua mãe costumava usar. Todo o restante se perdera com o tempo, diluído pelos anos e por lembranças que insistiam em desaparecer. Disseram-lhe que haviam morrido em um acidente quando ela ainda era criança. Nunca lhe explicaram, contudo, o que de fato ocorrera. No início, Elara questionava. Após ouvir repetidamente a mesma resposta — “você era pequena demais para compreender” —, deixou de insistir. O orfanato tornou-se sua residência. Não por oferecer acolhimento, mas por não haver alternativa. Cresceu compartilhando dormitórios, roupas doadas e brinquedos desgastados com deze
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